WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Crime está ligado à degradação na região da Central do Brasil

Três foram mortos na segunda; matança pode ter sido causada ou por vingança ou como parte de uma estratégia de limpeza social

CONSTANÇA REZENDE, O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2015 | 03h00

RIO - No local onde na segunda-feira três pessoas foram mortas a tiros, o consumo de drogas ocorre à luz do dia, viciados em crack circulam seminus, prostitutas disputam espaço com mendigos e celulares roubados são vendidos no chão.

O ambiente degradado reforça a suspeita policial de que a matança pode ter sido causada ou por vingança ou como parte de uma estratégia de limpeza social em área em que ficam a principal estação férrea carioca - a Central do Brasil -, a Secretaria de Segurança e o Palácio Duque de Caxias, quartel do comando do Exército no Rio. Embora a Secretaria de Desenvolvimento da prefeitura tenha informado que diariamente recolhe pessoas desocupadas na área, o quadro de abandono é evidente.

A região integra o projeto de revitalização da zona portuária. A Rua Barão de São Félix, onde assassinos em um carro dispararam contra quem estava na calçada, foi em maio reinaugurada pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB), com obras de reurbanização e infraestrutura.

Na época, Paes declarou que cuidaria da área, que chamou de “a mais degradada do Rio”, mas, passados cinco meses, nada mudou. A região é apontada por assistentes sociais como o local em que usuários de crack e prostitutas alcançaram um “último estágio de degradação”. Para a pesquisadora do Departamento de Estudos de Violência e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Cecília Minayo, é uma população que se acostumou com a vida marginalizada e não aceita ajuda. A Delegacia de Homicídios investiga o caso, mas ainda não prendeu ninguém.

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