Crise aérea é de longo prazo, avalia diretor da Anac

Josef Barat destaca necessidade de aumentar 'significamente' investimentos em infra-estrutura aeronáutica

Adriana Chiarini, da AE

02 de agosto de 2007 | 15h02

A crise aérea tem causas múltiplas, raízes estruturais e é de longo prazo, avalia o diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Josef Barat. Em apresentação na edição extraordinária do Fórum Nacional, sobre o setor aéreo, realizado nesta quinta-feira, 2, no BNDES, Barat destacou a necessidade de aumentar "de forma significativa" os investimentos em infra-estrutura aeronáutica e aeroportuária. Para ele, é necessário avaliar todas as possibilidades de financiamento. "Isso passa por um debate complexo, de privatização, estatização ou um modelo misto para a exploração das estruturação aeroportuárias". Barat apresentou três cenários para o setor dependendo do tratamento que ele receber do governo. O primeiro com um aeroporto que centralizasse as conexões e distribuição de vôos. "Esse cenário intervencionista a curto prazo pode conter o crescimento da demanda, é como se fosse um racionamento, um apagão", disse. "Terá uma função. Porém, o incremento da demanda pode transferir gargalos para o futuro", afirmou o diretor da Anac. Outro cenário, de liberalização, mantendo o modelo atual "de liberdade tarifária e entrada livre de empresas" com carência de infra-estrutura significaria, de acordo com ele, "a perpetuação da crise enquanto o problema de infra-estrutura não for resolvido". Ele se declarou favorável a um terceiro cenário, intermediário. "Temos que encontrar um ponto de equilíbrio entre soluções emergenciais de curto prazo que estão sendo conduzidas hoje pelo Ministério da Defesa e Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil) e a oportunidade de reverter o processo de falta de investimento e degradação das infra-estruturas aeronáutica e aeroportuária", disse.

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