Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

Crivella pede militares, mas Jungmann diz que não cabe a prefeitos solicitação

Ele cantou que 'quem não gosta de samba, bom prefeito não é'; Rio espera receber 1,5 milhão de turistas durante o carnaval

Constança Rezende, Roberta Jansen e Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2018 | 19h05

RIO - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), vai pedir apoio das Forças Armadas para reforçar a segurança no carnaval da cidade. Mas não cabe, por lei, ao município fazer esse tipo de solicitação, esclareceu o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Ele também informou ao Estado que nenhum pedido nesse sentido chegara, até o fim da tarde, ao órgão.

+++ Carnaval do Rio de Janeiro terá desfile de 464 blocos de rua

"Sobre pedidos (de) ajuda das Faz: 1. apenas governadores, em caso de segurança pública (GLO). 2. não pode ser preventivamente. 3. decisão apenas PR", esclareceu, depois, pelo Twitter. GLO significa Garantia da Lei e da Ordem; PR é presidente da República.

+++ Primeiros blocos de carnaval se apresentam no centro do Rio

Um dos argumentos de Crivella para pedir suporte militar para o carnaval é que a festa reunirá 6,5 milhões de pessoas, entre elas 1,5 milhão de turistas. Os militares agiram na segurança urbana durante a Olimpíada de 2016, lembrou o prefeito, quando a cidade recebeu 800 mil visitantes.

+++ Primeiros blocos de carnaval se apresentam no centro do Rio

As Forças Armadas participaram, ao longo de 2017, de operações policiais no Rio. As tropas, porém, não fizeram rotineiramente patrulhamento das ruas. Agiram em comunidades, geralmente com as Polícias Militar e Civil. Chegaram a fazer um cerco à Rocinha, na zona sul, durante uma guerra entre facções criminosas. 

O Ministério da Defesa, porém, reflete o humor dos comandos de Marinha, Exército e Aeronáutica. Resiste à proposta de empregar as tropas como forças policiais corriqueiras. Os militares consideram esse tipo de ação um desvio de sua missão legal, que é a defesa externa do País.

O pedido de ajuda das Forças Armadas foi anunciado na manhã desta quinta-feira, 11, durante apresentação da agenda oficial da festa.

A prefeitura também revelou que, pela primeira vez, seguranças privados trabalharão no carnaval, em apoio à Polícia Militar e à Guarda Municipal. Serão 3.375 vigilantes de empresas privadas. Haverá também cinco centros de videomonitoramento, com 70 câmeras.

Festa

O carnaval de rua do Rio, considerado o maior do Brasil, terá, neste ano, 464 blocos e 600 desfiles em diversos bairros da cidade. Os blocos de maior público vão desfilar na Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro, como no ano passado. Ao todo, serão oferecidos aos foliões 32.500 banheiros químicos.

A previsão é de que o sambódromo receba meio milhão de pessoas nos dias de desfile. Além disso, 16 palcos serão montados em diferentes pontos para a realização de eventos ligados os festejos.

Uma das novidades do carnaval deste ano é a Arena Carnaval Rio, na Barra da Tijuca, na zona oeste. No local, serão realizadas apresentações de grupos de samba e pagode, além de trios elétricos. 

Ao longo dos cinco dias da festa, dez blocos desfilarão na arena - dois por dia. Com entrada gratuita, o espaço tem capacidade para receber até 100 mil pessoas por dia. Segundo Crivella, a arena foi criada para oferecer mais uma área de entretenimento na cidade. 

Uma pesquisa da  Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada pela prefeitura aponta que o evento deverá movimentar cerca de R$ 3,5 bilhões e gerar 1 mil empregos diretos e 2 mil indiretos. A Riotur informou que a ocupação dos hotéis será de 90%. 

Para driblar a crise, o prefeito fez um acordo com o setor privado. De acordo com Crivella, o valor de patrocínio em 2018 é o maior da história. Serão R$ 38 milhões vindos de empresas privadas.

"Fizemos um esforço enorme para apresentar um carnaval muito bonito, que a gente espera que seja calmo e sem violência. Não existe essa conversa que o prefeito não apoia o carnaval por razões religiosas, são argumentos que não se sustentam", afirmou o prefeito.

 

Crivella é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e tem sido acusado de, por isso, tomar medidas contra o carnaval. Em 2017, ele não foi à avenida durante os desfiles.

"O prefeito precisa muitas vezes enfrentar dificuldades e priorizar recursos, mesmo tendo que amargurar críticas, e isso eu tive que fazer. Mas isso não tirou o brilho. É na crise que a gente cresce. Vamos fazer um carnaval muito lindo", disse. 

E cantou, parafraseando Dorival Caymmi, para convencer os cariocas de que é um entusiasta da folia: "Quem não gosta de samba, bom prefeito não é".

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