AP Photo/Silvia Izquierdo
AP Photo/Silvia Izquierdo

Debate: Forças Armadas devem ajudar na segurança?

8,5 mil militares começaram a reforçar a segurança em diversos pontos da região metropolitana do Rio

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 23h38

Um contingente de 8,5 mil militares começou ontem a reforçar a segurança em diversos pontos da região metropolitana do Rio. As Forças Armadas devem ajudar na segurança? Veja abaixo a opinião de especialistas:

Sim. A presença das Forças Armadas oferece uma sensação momentânea de segurança, por isso é importante a sua presença. Diante da grave situação das polícias do Estado do Rio, é útil como medida em curto prazo. Mas são necessárias outras providências para o combate em longo prazo. Onde as Forças Armadas estão, os índices de violência caem, mas um dia a operação termina. 

O brasileiro adora solução imediata e sempre aposta nessas medidas. Adora ver carro de polícia na rua, ver essa mobilização. Isso pode conter o avanço da violência, mas é temporário. A presença da polícia aumenta a segurança, mas os criminosos migram para outras áreas. É sempre assim, e desta vez não será diferente.

Também é preciso agir em outras frentes, como mudar a legislação, aumentar a pena de determinados crimes e também debater o aumento da maioridade penal. (Paulo Storani, ex-integrante do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM do Rio e mestre em Antropologia Social pela UFF) 

Não. Convocar as Forças Armadas para patrulhar o Rio é um equívoco e não resolve nada. Leva uma sensação de segurança, mas não soluciona o problema da violência. No caso atual, é particularmente grave porque foi anunciado que os militares não farão apenas patrulhamento, mas dividirão a inteligência com a polícia, o que significa eliminar a diferença entre as inteligências policial e militar. As inteligências têm funções diferentes e devem permanecer separadas.

Outro problema é a possibilidade de operações-surpresa, que provavelmente vão provocar tiroteios e danos. Se já reclamamos que operação policiais são militarizadas e acabam provocando vítimas, o risco com o Exército é maior. A União faria melhor se tomasse duas providências. A primeira é convocar a Força Nacional - composta por policiais treinados para esse tipo de intervenção - em contingente superior. A segunda seria repassar verba para que o Rio pagasse seus policiais para trabalharem na folga. (Ignácio Cano, sociólogo e professor da Uerj)

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