Delegado acusado de blitz irregular contradiz testemunhas

Acusado de portar arma ilegal e furto, Erthal disse à corregedoria que estava 'confraternizando com amigos'

Clarissa Thomé,

05 Setembro 2007 | 19h57

O delegado Célio Eduardo Erthal, acusado de participar de blitz irregular em Niterói na noite de segunda-feira, disse à corregedoria de Polícia Civil que estava "confraternizando com amigos", quando desconfiou da atitude suspeita de um homem e resolveu abordá-lo. Ele negou ter roubado a carteira do motorista e ainda que portava armas com números de série raspados.   A situação de Erthal se complicou ainda mais depois que uma outra vítima o denunciou, ao reconhecê-lo pelas imagens da tevê. A testemunha contou em entrevista ao RJTV que foi abordado por um homem que gritava: "'Perdeu, perdeu. Deita no chão. Vai morrer".   Segundo a vítima, Erthal, armado, dava cobertura ao agressor. O caso foi registrado há um ano na 76.ª Delegacia de Polícia (Centro de Niterói). "Localizamos a testemunha e ela virá depor amanhã (esta quarta)", afirmou a corregedora interna, Ivanete Araújo.   Para a corregedora, há "indícios de transgressão de natureza grave contra Erthal", que podem levá-lo à expulsão da Polícia Civil. Além da punição de ordem administrativa, ele responderá criminalmente por abuso de autoridade, desacato e prevaricação.   O policial também é acusado de roubo e porte ilegal de armas. "Vamos apurar todas as acusações para que o promotor possa fazer a denúncia à Justiça", afirmou.   Na terça, prestou depoimento a delegada Raíssa Cellis, noiva de Erthal, que responde à sindicância por ter tentado amenizar a situação do namorado. O teor do depoimento dela não foi revelado. Raíssa deixou a Chefia de Polícia Civil num táxi, que a pegou na garagem, sem falar com a imprensa.   Ela complicou-se por ter tentado ajudar o noivo - apresentou-se à 78.ª Delegacia de Polícia (Fonseca), onde estava sendo feito o registro da falsa blitz, quatro horas antes do início do seu plantão e tentou convencer os PMs a minimizar as acusações.   "Ela deveria ter se declarado suspeita, mas não o fez. E tentou interferir na ocorrência, que era lavrada por outro delegado". Ela responderá por agir por sentimento pessoal e pode ficar suspensa de 16 a 41 dias, sem o recebimento de salário.   A delegada pode ainda pedir para trabalhar no período se suspensão, mas receberá metade dos vencimentos. A decisão cabe à Chefia de Polícia ou à corregedora, dependendo do tamanho da pena. Ivanete também apura a participação de dois policiais civis na falsa blitz. A Secretaria de Administração Penitenciária informou que abriu uma sindicância para investigar o envolvimento do agente Marcelo Carvalho de Oliveira, que estava com os policiais.

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