Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Delegado é encontrado morto a tiros na zona norte do Rio

Fábio Monteiro, da Central de Garantias Norte, estava em um carro próximo à comunidade do Jacaré

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2018 | 16h48

RIO - O delegado Fábio Monteiro, de 39 anos, que atuava na Central de Garantias Norte, na Cidade da Polícia, no Jacaré (zona norte do Rio de Janeiro), foi encontrado morto a tiros no porta-malas de um carro, no início da tarde desta sexta-feira, 12, perto do local em que trabalhava. Logo após o crime, policiais iniciaram uma operação na favela do Jacarezinho, a cerca de 800 metros da Cidade da Polícia, e em outras favelas da região. Houve tiroteios, mas até às 19h não havia registro de feridos. Mais de 40 suspeitos foram detidos e conduzidos à Cidade da Polícia para prestar depoimento, mas até o início da noite o crime não havia sido esclarecido.

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O corpo de Monteiro estava em um Chevrolet Cobalt preto abandonado na avenida Dom Helder Câmara, perto do Viaduto de Benfica. Dentro do veículo, havia uma credencial de um evento jurídico e o distintivo da Polícia Civil que pertencia ao delegado. Pedestres viram quatro homens saindo do veículo e correndo em direção às favelas do Jacarezinho e do Arará, que são próximas. As testemunhas avisaram PMs do 22º Batalhão (Maré), que encontraram o corpo do delegado no porta-malas. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios do Rio, que já obteve imagens de câmeras da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio).

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Monteiro foi visto pela última vez saindo da Cidade da Polícia para almoçar. Informações preliminares indicam que ele teria sido vítima de assaltantes, numa área conhecida como Buraco do Lacerda, vizinho à favela do Jacarezinho. Não se sabe se ele reagiu ou se os ladrões descobriram se tratar de um policial. Então Monteiro teria sido levado para a favela e assassinado a tiros. Em seguida o corpo foi abandonado no porta-malas do Cobalt.

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Monteiro  era casado e tinha dois filhos. Ingressou na Polícia Civil do Rio em 2014 e atuava também como professor de Direito Penal e Direito Processual Penal em um curso preparatório para concursos da Polícia Civil. Antes, fora policial federal. Era faixa preta de jiu-jitsu e mantinha uma conta na rede social Instagram, onde, no fim do ano passado, escreveu: "Foi um ano difícil, principalmente na área de segurança pública: salários atrasados e morte de colegas (alguns amigos), mas chegamos até aqui e sobrevivemos."

Operação. No Jacarezinho, por volta das 17h, a reportagem testemunhou intenso tiroteio, que causou pânico entre moradores e pessoas que circulavam pela região. Criminosos atiraram inclusive em direção a um helicóptero da Polícia Civil que sobrevoava a favela, mas não atingiram a aeronave. Policiais militares armados com fuzis realizavam uma blitz na avenida Dom Helder Câmara, ordenando que todos os veículos circulassem com vidros abertos. Por conta dos tiroteios, que se estenderam ao longo da tarde, ramais da Supervia deixaram de circular em trechos da zona norte.

Na Cidade da Polícia, o clima era de espanto e tristeza diante da morte do delegado, além de ansiedade pela solução do caso e prisão dos criminosos. Mais de 150 policiais passaram a tarde mobilizados em busca de informações sobre o crime.

O secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá, classificou o crime como um "atentado à democracia": "Toda ação contra agente público eu digo que é um atentado, um tiro contra a democracia. Eu tenho certeza que a Polícia Civil não vai descansar enquanto não colocar as mãos nos criminosos que tiraram a vida desse delegado. É uma resposta para a sociedade, e acima de tudo para o crime. Não pode compensar atentar contra a vida de agentes públicos", afirmou, em depoimento ao site G1.

Horas antes do crime, o governador do  Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB) ser reuniu com  quatro ministros, entre eles Raul Jungmann (Defesa) e Torquato Jardim (Justiça) , no Palácio Guanabara, para discutir a segurança do Estado. Ficou acertado que as Forças Armadas ficarão no Rio de Janeiro até o fim de 2018.

Coronel. Em 26 de outubro de 2017, também após um suposto assalto, criminosos mataram o coronel Luiz Gustavo Lima Teixeira, que era comandante do 3º Batalhão da PM, no Méier (zona norte). Ele estava em um carro descaracterizado, vestido à paisana e a caminho do Batalhão,  quando foi alvo de ladrões, na esquina das ruas Lins de Vasconcelos e Hermengarda. Teria tentado reagir, foi baleado e chegou a ser levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, no mesmo bairro, mas morreu enquanto era atendido. Suspeitos pelo crime foram identificados e presos.

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