Delegado e perito são presos acusados de extorsão no Rio

Esquema de corrupção funcionava desde 2012 na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e valor cobrado chegava a R$ 300 mil

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2015 | 11h08

Atualizada às 18h32
RIO - O delegado Fernando Cesar Magalhães Reis e o perito criminal José Afonso Garcia Alvernaz foram presos nesta quarta-feira, 1, sob acusação de integrar organização criminosa atuante na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) para extorquir dinheiro de empresários. Também foi expedido pela Justiça mandado de prisão preventiva contra o policial civil José Luiz Fernandes Alves, chefe das equipes de investigação da DPMA, que era procurado até o fim da tarde.
Os acusados vão responder pelos crimes de organização criminosa, extorsão, extorsão mediante sequestro e concussão. Realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP) e pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, a Operação Hiena já tinha resultado na prisão de sete pessoas, das quais cinco policiais civis. De acordo com informações do MP, a quadrilha chefiada pelo delegado atuava pelo menos desde 2012, com extorsões que chegavam a R$ 300 mil.
As investigações começaram no início do ano, após denúncia de um empresário. No esquema, integrantes das equipes de investigação da DPMA faziam diligências nas sedes de empresas, sob o argumento de estarem verificando denúncias anônimas sobre a prática de crime ambiental.
Os agentes apontavam falsas irregularidades e, com isso, pressionavam e ameaçavam o empresário ou responsável pelo local a realizar os pagamentos indevidos.
O perito criminal José Afonso Alvernaz é apontado como responsável por forjar laudos que apontavam crimes ambientais inexistentes. Ainda de acordo com o MP, a organização criminosa também sequestrou vítimas de extorsão e as manteve como reféns por mais de oito horas enquanto o preço dos resgates era negociado.
Os chefes do esquema ficavam com 40% do valor arrecadado e os outros 60% eram divididos entre os agentes que participavam das falsas diligências, de acordo com as investigações. Além desse golpe, chamado pela quadrilha de “pancada”, havia uma lista de empresários que eram obrigados a fazer pagamentos fixos de propina, até o dia 10 de cada mês. Os pagamentos da chamada “merenda” muitas vezes eram feitos nas dependências da própria DPMA. Um desses locais era o estacionamento da delegacia, aponta a investigação. O valor das propinas mensais variava de R$ 500 a R$ 6 mil, dependendo do porte da empresa. Parte da investigação foi baseada na delação premiada de um dos policiais civis lotados na DPMA. Advogados dos acusados não foram localizados pelo Estado. pelos crimes de organização criminosa, extorsão, extorsão mediante sequestro e concussão.
Ainda nesta quarta-feira, a Associação dos Delegados de Polícia do Rio de Janeiro (Adepol-RJ) e o Sindepol, sindicato da categoria, criticaram a forma como o delegado Fernando Reis foi investigado e preso. As entidades divulgaram nota conjunta de repúdio, em que consideram que houve violação do "princípio constitucional da presunção de inocência" e "exposições gratuitas e desarrazoadas das imagens dos investigados nas operações de cumprimentos de mandados de prisão".
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