Delegado que sofreu atentado tem dedo amputado

Suspeito pelo atentado contra o delegado Alexandre Neto, sargento da PM se apresentou na noite de segunda

Pedro Dantas, do Estadão,

04 Setembro 2007 | 19h20

O delegado adjunto da Delegacia anti-seqüestro do Rio de Janeiro, Alexandre Neto, foi operado nesta terça-feira, 4, e teve o dedo médio da mão direita amputado. Ele foi atingido por quatro tiros quando saía de casa, em Copacabana, na zona sul, no domingo.   Suspeito pelo atentado, o sargento da Polícia Militar Márcio da Silva Barbosa se apresentou na noite de segunda-feira, 3, à Delegacia de Homicídios e negou qualquer participação no crime. Duas pistolas calibre 380 e carro Polo da cor prata do sargento foram apreendidos. As armas tem o mesmo calibre usado pelos autores do atentado e o carro é semelhante ao dirigido pelos criminosos, segundo testemunhas.   O sargento, lotado há oito anos no 19º Batalhão de Polícia Militar de Copacabana, disse em depoimento à polícia que estava de folga e na hora do crime estava em Bangu, na zona oeste. Ele mostrou recibos de uma farmácia para comprovar que estava fazendo compras na hora em que o delegado foi baleado. O policial foi liberado e continuará trabalhando normalmente, pois não há acusação formal contra ele, que não falou com os jornalistas.   "Uma das linhas de investigação realmente leva ao episódio do delegado com os PMs, mas tudo será investigado", disse o chefe da Polícia Civil Gilberto Ribeiro. Ouvido no depoimento por policiais, Neto disse acredita em duas teses sobre o atentado. A primeira é que o crime teria sido obra do grupo de PMs, entre eles o sargento Barbosa, que discutiu em 2006 com o delegado, que estacionou seu carro em local irregular em Copacabana. Neto chegou a ser preso pelos PMs e passou a investigar uma suposta ligação deles com a máfia dos caça-níqueis. A outra teoria é que o crime teria sido tramado pelo ex-diretor do Instituto Médico Legal, Roger Ancilotti, a mando do deputado e ex-chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins (PMDB).   Neto era uma das duas testemunhas de defesa do perito Daniel Ponte, que acusa a administração de Ancilotti de compras superfaturada, cobrança de propina das famílias que aguardam necropsia e envolvimento com a máfia das funerárias em sindicância interna da Polícia Civil. A outra testemunha, o perito Alexandre Várzea, morreu há 11 dias em um acidente de trânsito. Ontem, o perito Daniel Ponte pediu proteção policial ao delegado-titular da Delegacia de Homicídios, Roberto Cardoso e mostrou gravações onde Neto o alerta sobre um possível atentado. "Não confia em ninguém. Não comenta com ninguém. Qualquer coisa você não sabe de nada", disse o delegado ao perito na gravação.   Outra hipótese investigada pela polícia para o atentado seria o envolvimento de outro grupo de policiais militares que eram investigados pelo delegado pelo seqüestro do traficante Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, em fevereiro deste ano. O criminoso teria pago a PMs pela liberdade. Além da Delegacia de Homicídios, com o apoio da Delegacia Anti-Seqüestro (DAS), a Polícia Federal também investiga o atentado contra o delegado, pois ele foi o denunciante do inquérito que investiga a ligação de policiais civis com a máfia dos caça-níqueis. A segurança do quarto onde Neto está internado do Hospital Quinta-D'Or foi reforçada. Seis homens da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), armados de fuzis, ficam 24 horas na porta do quarto.

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