Delegado responsável pelo caso Marielle deixa função para fazer intercâmbio na Itália

Durante a investigação, Giniton Lages foi acusado de pressionar suspeitos a confessarem participação no crime

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 15h57

RIO - Chefe das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, o delegado Giniton Lages deixará a apuração do crime – que ainda deverá esclarecer motivos e se houve mandantes. O governador Wilson Witzel (PSC) informou ontem que o policial vai fazer um intercâmbio profissional de quatro meses na Itália.

Durante a investigação, Lages foi acusado de pressionar suspeitos a confessar participação no crime. A suspeita levou a Procuradoria-Geral da República a abrir um inquérito federal. "Ele não está sendo exonerado", frisou o governador. "Também não está sendo afastado de nada; ele encerrou uma fase da investigação e, agora, outra autoridade vai assumir o caso para, eventualmente, determinar o mandante."

O governador explicou ainda que o convite para o intercâmbio foi feito ao delegado na terça-feira. No mesmo dia, foram anunciados o encerramento da primeira fase da investigação do caso Marielle e as prisões do PM reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, e do ex-PM Élcio Queiroz, de 46 anos. Eles são acusados, respectivamente, de dar os tiros e de conduzir o veículo dos assassinos no dia do crime.

Segundo Witzel, a substituição de Lages não trará prejuízos à investigação. "Ele (Giniton) está cansado, esgotado", justificou. "O conhecimento da investigação foi compartilhado com outros delegados; mudar um delegado para colocar outro, mais descansado, é natural; trata-se de uma melhoria da capacidade investigativa."

Ao longo da investigação, Giniton Lages foi acusado de pressionar suspeitos para confessarem sua participação no assassinato da vereadora. A acusação partiu do ex-PM Orlando de Curicica, preso em uma unidade de segurança máxima no Rio Grande do Norte. Ele foi apontado por uma testemunha de ter sido o responsável – juntamente com o vereador Marcelo Siciliano – pelo crime. Essa testemunha, um ex-braço direito de Curicica, contou que teria presenciado uma conversa entre o chefe e o vereador, tratando da morte de Marielle Franco.


Presos

Os advogados que atuam na defesa de Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz negaram ontem que seus clientes possam fazer delação premiada. Fernando Santana, advogado de Lessa, disse que seu cliente "não tinha ouvido falar da vereadora e nunca pesquisou sobre ela". A tese das defesas será negativa de autoria.

Ainda segundo Santana, Lessa nega veementemente a participação no crime – e por isso descarta a participação em qualquer delação. Essa é a mesma posição do advogado de Queiroz, Henrique Telles. Segundo ele, "só faz delação quem deve alguma coisa." / COLABOROU GILBERTO AMENDOLA, ENVIADO ESPECIAL

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