WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Deputada Flordelis diz ter sido vítima de ameaças e extorsão

O marido da parlamentar, o pastor Anderson do Carmo, foi assassinado em junho. Mulher diz que suposto policial da Delegacia de Homicídios teria exigido dinheiro

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2019 | 00h03

RIO - A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) afirmou à Polícia Federal no dia 30 de agosto ter sido vítima de ameaças por telefone e de uma tentativa de extorsão, dois meses depois do crime que tirou a vida de seu marido, o pastor Anderson do Carmo. As informações foram reveladas neste domingo pelo Fantástico, da TV Globo.

 

A deputada conversou com a equipe do programa no escritório de seus advogados e contou que uma das ameaças teria partido de um ex-advogado de seu filho Lucas, preso por suposta participação no crime. Segundo ela, ele tentou marcar um encontro. A deputada  entregou à Polícia Federal gravações dos telefonemas em que o homem afirma estar “segurando algumas coisas como a colaboração premiada”.

Segundo o Fantástico, Flordelis também disse à Polícia Federal que recebeu telefonemas dirigidos ao gabinete que ocupa na Câmara dos Deputados em Brasília, de um policial civil da Delegacia de Homicídios da cidade do Rio de Janeiro. Ele teria dito que o mandato de Flordelis estaria ameaçado e que ele poderia ajudar. "Estavam querendo me extorquir dinheiro", contou Flordelis.

Nas gravações reproduzidas pelo Fantástico o suposto policial afirma que uma pessoa da família da deputada garantiu que tem provas de que ela seria a mandante do assassinato do pastor e que sabia de tudo. Ele tenta extorquir dinheiro da deputada.

"Eu vou falar português claro com a senhora, a nossa intenção é o dinheiro. E eu sei que a gente pode passar informação para a senhora, para a senhora se resguardar e se defender antes de surgirem fatos novos, entendeu?", diz o suposto policial.

A Polícia Federal abriu um procedimento para apurar as declarações prestadas pela deputada e a Policia Civil do Rio disse, em nota ao Fantástico, que os telefonemas estão sendo investigados pela Delegacia de Homicídios de Niterói em inquérito sigiloso e que a deputada nunca procurou a delegacia para comunicar esses fatos.

Durante a entrevista, Flordelis apresentou uma carta que disse ser do filho Lucas, que está preso. Segundo a deputada, a carta traz uma nova versão de Lucas, que envolve no crime um outro filho dela, o vereador Misael, que acusa a mãe de ter participação na morte de Anderson. Em nota ao Fantástico, ele disse que não participou da execução de seu pai e que a declaração da mãe tem intenção de confundir a investigação.

A deputada federal participou na noite deste sábado da reconstituição do assassinato do seu marido, o pastor Anderson do Carmo, morto há três meses na casa da família, em Niterói, na região metropolitana do Rio. A delegada Bárbara Lomba, que acompanhou o trabalho de reconstituição do crime, disse ter identificado algumas contradições de Flordelis em relação ao relatado pela parlamentar na última madrugada e ao conteúdo de seus depoimentos na delegacia.

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