WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Flordelis presta depoimento à polícia por mais de 9 horas. Ela é considerada suspeita? Entenda

Marido da pastora foi assassinado a tiros no domingo, 16, e dois filhos dela estão presos sob suspeita de envolvimento com o caso. Flordelis programou uma entrevista coletiva para a tarde desta terça-feira, 25

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2019 | 03h00
Atualizado 25 de junho de 2019 | 09h03

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) prestou depoimento à polícia por mais de nove horas nesta segunda-feira, 24. Outras 25 pessoas da casa, entre parentes e funcionários, também estiveram na Delegacia de Homicídios prestando esclarecimentos. A deputada não falou com a imprensa antes nem após o depoimento. Ela programou uma entrevista coletiva para a tarde desta terça-feira, 25.

A polícia e o Ministério Público não descartam a participação da deputada na morte do marido, o pastor Anderson do Carmo, de 42 anos, assassinado com mais de 30 tiros na madrugada do domingo, 16, na garagem da casa do casal.

Desde a morte do pastor, a história de sofrimento da família se transformou num confuso enredo em que os parentes da vítima passaram a figurar como principais suspeitos do crime.

"Um homicídio aconteceu dentro de uma casa, então todas as pessoas que estavam dentro da casa devem ser cogitadas”, afirmou em entrevista à radio CBN, o promotor Sergio Luiz Lopes Pereira, que acompanha o caso. Ele reclamou também que a família não estaria colaborando para o esclarecimento do crime.

“O que esperamos da família, especialmente da esposa, é uma maior colaboração com o MP e a polícia”, afirmou. “No dia do crime, ela foi até a delegacia e disse que estava com o celular do marido; até hoje esse celular não foi entregue. O celular do Flávio também não foi entregue.”

O promotor contou ainda que, no dia em que esteve na casa da deputada, havia uma grande fogueira no quintal, onde provas podem ter sido destruídas.

Nesta segunda-feira, o advogado Anderson Rollemberg, um dos responsáveis pela defesa de Flávio dos Santos, filho da deputada, suspeito de ter participado da morte do padrasto, Anderson do Carmo, contestou a versão divulgada pela polícia e afirmou que o seu cliente não deu nenhum depoimento admitindo o crime.

Como o crime aconteceu?

O pastor Anderson do Carmo de Souza foi executado por volta das 4 horas da madrugada do domingo, 16, com diversos tiros, após chegar com a mulher em sua residência no bairro Pendotiba, em Niterói.

Quem são os suspeitos?

Na segunda-feira, 17, a polícia já suspeitava que filhos do casal pudessem ter envolvimento com o crime. Flordelis e Anderson são pais de 55 filhos, dos quais 51 são adotivos. O primeiro detido foi Flávio dos Santos Rodrigues, de 38 anos, filho biológico de Flordelis e enteado de Souza. A prisão ocorreu durante o enterro do padrasto. O outro filho do casal preso foi Lucas Cezar dos Santos Souza, de 18 anos. Eles foram presos inicialmente sob suspeita de envolvimento em outros crimes.

Na quinta-feira, 20, a Justiça do Rio de Janeiro expediu mandados de prisão temporária para os dois filhos da pastora. Segundo a polícia, Flávio confessou envolvimento na morte do padrasto. Apesar disso, os investigadores ainda tentam esclarecer as circunstâncias do crime e apuram a participação de outras pessoas na morte do pastor.

Quais são as contradições da confissão?

O laudo do Instituto Médico Legal revelou que o corpo do pastor tinha mais de 30 perfurações - nove na região da virilha e da coxa, oito no peito e um, provocado por tiro a curta distância, na cabeça -, mas o réu confesso teria dito que disparou seis tiros. A polícia destacou que a quantidade de perfurações é insuficiente para determinar o número de tiros, uma vez que um mesmo tiro pode resultar em mais de uma perfuração.

A deputada é considerada suspeita?

A polícia e o Ministério Público não descartam a participação da deputada na morte do marido. A TV Globo revelou que o depoimento de um outro filho de casal teria sugerido a participação de três irmãs e da própria deputada Flordelis no planejamento do crime. A arma utilizada na execução foi encontrada dentro da casa pela polícia, mas, até agora, os policiais não conseguiram achar o celular usado pela vítima.

"Temos muito trabalho a fazer ainda. Por isso, notícias prematuras, coisas que chegam até vocês (da imprensa) de forma irresponsável, às vezes, podem atrapalhar as investigações”, disse na semana passada a delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.

O que a polícia busca esclarecer no depoimento?

Apesar de um dos filhos do casal ter assumido a autoria do crime, a polícia quer esclarecer a dinâmica da execução e diz que todas as pessoas que tinham alguma ligação com o pastor estão sendo investigadas - o que inclui a deputada.

O que a deputada fala sobre o caso?

A deputada reafirmou na noite de sábado, 22, a esperança de que sejam inocentes seus dois filhos presos temporariamente. “Tem gente que estranha eu não acreditar que dois filhos meus são os autores, porque eles confessaram. Eu não quero acreditar e o meu coração de mãe me dá direito à esperança”, escreveu a deputada, em sua conta no Facebook, numa mensagem em que negou esconder provas e disse querer o esclarecimento do crime.

Flordelis comentou as declarações da delegada. “As confissões não são suficientes para condenar e quem assistiu a entrevista da delegada ouviu ela também dizer a mesma coisa. Vamos aguardar o fim das investigações e do julgamento. É assim que tem que ser”, escreveu a parlamentar.

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