Deputado do Rio teria vendido casa de luxo a Abadia

Obra em residência do megatraficante parou quando ele foi preso em São Paulo

TALITA FIGUEIREDO,

11 Outubro 2007 | 21h02

Localizada em um dos mais caros condomínios da Costa Verde Fluminense, a casa que teria sido vendida pelo deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao megatraficante Juan Carlos Abadia, preso em agosto, está vazia desde o fim do primeiro semestre, de acordo com caseiros que trabalham no local. As obras de reforma da casa de dois andares, com piscina e deck privativo foram paralisadas há cerca de dois meses, coincidentemente mesmo período em que Abadia está preso. A suposta transação foi revelada em discurso na Assembléia Legislativa, na quarta-feira, pela deputada Cidinha Campos (PDT-RJ). O deputado Eduardo Cunha nega as acusações.   A casa de número 47 da Rua do Bosque, no Condomínio do Frade, em Angra dos Reis, teria sido vendida por US$ 800 mil (cerca de R$ 1, 6 milhão),de acordo com denúncia da deputada. O imóvel fica num terreno de aproximadamente 800 metros, tem um varandão de frente para o canal e um quintal, onde podem ser vistas apenas cadeiras de praia, espreguiçadeiras e uma mesa. A casa está com a pintura envelhecida pelo tempo e tem o portão voltado para a rua trancado com um cadeado. O condomínio, um dos mais luxuosos da região, tem marina, clube, heliponto, duas imobiliárias, entre outras facilidades. Segundo caseiros que trabalham em casas próximas, ela pertenceria a um homem chamado Francisco, que a aluga por temporada. Ele próprio ficaria em outra casa mais próximo da Marina. Segundo informações de empregados do local, as obras na casa estão previstas para retornar em breve. Conforme revelou a deputada, Francisco Roberto Cunha Gomes é fiscal de receita e foi investigado numa CPI da Assembléia que apurou a queda na arrecadação do ICMS no Estado. Ele é pai de Alexandre D'Thuin da Cunha Gomes, dono da empresa Gap Distribuidora, em nome de quem o imóvel está oficialmente. Procurado ontem à tarde, Francisco Gomes desligou a ligação quando o repórter do Estado se identificou. De acordo com as acusações da deputada Cidinha Campos, a casa teria sido vendida pelo deputado federal Eduardo Cunha ao traficante por US$ 800 mil e em seguida recomprada por ele por US$ 700 mil. Na versão da deputada, o traficante teria desistido do negócio porque o local seria muito visado, já que o condomínio é bastante freqüentado pela sociedade carioca. O deputado Eduardo Cunha negou as acusações, disse não possuir casa em Angra dos Reis e não ter relações com o fiscal Francisco Gomes.

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