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Deputado que acredita na 'cura gay' critica patrocínio à parada

Ezequiel Teixeira deixou Secretaria da Assistência Social e Direitos Humanos; 'fui exonerado por acreditar em milagres de Deus', disse

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2016 | 17h24

BRASÍLIA - O deputado Ezequiel Teixeira (PSD-RJ) criticou nesta quarta-feira, 24, em discurso na tribuna da Câmara, a destinação de recursos públicos para eventos e programas destinados ao público LGBT, como a Parada Gay e a casamentos homossexuais coletivos. 

Ezequiel retornou ao mandado parlamentar nesta quarta, uma semana após ser exonerado do cargo de secretário da Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio. Ele foi demitido pelo governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) depois de dizer, em entrevista ao jornal O Globo, que acredita na “cura gay”.

Teixeira afirmou que foi "mal interpretado" pelo repórter do jornal, que teria retirado o contexto da declaração dele ao ser questionado sobre a “cura gay”. “Repito: não sou homofóbico, não sou preconceituoso. Usaram de forma errônea a minha crença em transformação do ser humano”, disse nesta quarta. 

Para o deputado, praticaram “intolerância religiosa” contra ele, por manter firme suas “convicções como filho de Deus”. “Naquele momento, esqueceram que a figura que falava na entrevista era um advogado e deputado federal exercendo o cargo de secretário de Estado com liberdade de expressão”, disse.

Apesar de dizer que não é homofóbico, Teixeira disse ter “compromisso com o dinheiro do povo”. Ele afirmou ter encontrado diversas irregularidades nos recursos destinados à Superintendência do Programa “Rio sem Homofobia”. “Não iria permitir a prorrogação da farra com dinheiro público que ocorre desde antes de 2010”.

Segundo o parlamentar, no ano passado, o governo fluminense gastou R$ 228 mil “em uma única festa homoafetiva”. Ele se referia à festa de casamento de casais homossexuais, que, de acordo com ele, o Estado do Rio de Janeiro pagou custos como aluguel de salão, recepcionistas drag queen, cantores, dentre outros.

“Não é razoável que o Estado custeie festa de casamento, quando todos os documentos já são gratuitos. Isso é uma imoralidade. O Estado não pode bancar festa enquanto pessoas morrem na fila dos hospitais diariamente”, disse. “Prevaleceu a promiscuidade do casamento gay”, emendou. 

O deputado criticou também a destinação de mais de R$ 1,5 milhão pelo governo fluminense para a realização de “conferências” e da “Parada do Orgulho Gay”. “E outras ações que consumiram mais de R$ 9 milhões, em 2015, que em nada favorecem para a diminuição do preconceito. Isso é apenas farra”, disse.

Teixeira afirmou que sua exoneração no governo fluminense “prova que somos desrespeitados, perseguidos e intolerados por nossa convicção”. “Perco o cargo, jamais a dignidade. Enquanto muitos são exonerados ou presos por corrupção, fui exonerado por crer nos milagres de Deus”, disse. 

 

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