Leo Correa/aP
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Deputados do Rio querem ouvir explicações de generais na Alerj

Parlamentares reivindicam prestação de contas do interventor e do secretário nomeado por ele e vão instalar CPI das UPPs

Felipe Frazão, enviado especial de O Estado de S. Paulo ao Rio

28 Fevereiro 2018 | 17h34

RIO - Deputados estaduais do Rio de Janeiro querem que o general Walter Souza Braga Netto, interventor federal no Estado, e o general Richard Fernandez Nunes, nomeado por ele como secretário de Segurança, prestem contas de suas ações na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Eles acertaram nesta quarta-feira, 28, durante reunião no Comando Militar do Leste, a ida dos militares ao Parlamento e também comunicaram a ele a instalação, a partir da semana que vem, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

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A audiência com o interventor ainda não tem data marcada, segundo os deputados, mas poderá ocorrer no âmbito da CPI das UPPs, por convite ou convocação, caso seja necessário. Os parlamentares querem detalhes de todas as ações da intervenção. A CPI será presidida pelo deputado Bruno Dauaire (PR), autor do requerimento de criação.

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"Já foi acordado que num momento mais adiante estaremos ouvindo na Assembleia Legislativa, há um interesse dos parlamentares de conversar, seja com o interventor, seja com o secretário de segurança", disse a deputada Martha Rocha (PDT), presidente da comissão e pré-candidata ao governo do Rio.

Os deputados entregaram ao general um estudo com dados sobre roubo de carga e solicitaram que o general tenha atenção a este tipo de crime, cometido por facções organizadas, segundo os deputados. Eles também levaram ao interventor reivindicações de concursados de órgãos ligados à Segurança, que ainda não foram convocados para tomar posse.

"A comissão apresentou um trabalho a respeito do roubo de carga, uma ponderação para que as ações da intervenção não fiquem apenas na capital do Estado, tendo o compromisso do general Braga Netto de que a intervenção alcançará todo o Estado na área da segurança, com ações no enfrentamento da criminalidade na Baixada e no interior", disse Martha Rocha, ex-chefe da Polícia Civil. "Hoje é fato que o tráfico de drogas tem um braço no roubo de cargas."

Segundo os deputados, o general não detalhou as ações que desenvolverá, nem prestou contas da verba com que contará para desempenhar o trabalho da intervenção, seja o orçamento atualizado do governo do Estado ou o prometido aporte de dinheiro da União. Braga Netto disse aos parlamentares que não terá verba para fazer novas contratações, mas que fará gestões para recompor os quadros humano e material das instituições de segurança pública.

O deputado Bruno Dauaire disse que as UPPs "falharam" e quer o retorno dos policiais militares originalmente lotados no interior e que haviam sido deslocados para a capital para compor o efetivo das UPPs. O deputado defende uma reorganização da política de ocupação de comunidades.

"A nossa preocupação é ocorrer (com a intervenção) o que ocorreu quando da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora. Houve uma migração desses meliantes da capital que pertencem a facções criminosas para o interior. Hoje o interior do Estado e a Região dos Lagos sofrem esse problema das facções criminosas, o que nunca acontecera. A gente credita essa migração à implantação das UPPs, que ficaram na capital não sendo estendidas para o interior do Estado", disse Dauaire. "A gente tem informação que há um aumento exponencial no número de pedidos de licença para tratamento de saúde dos policiais das UPPs, acaba desguarnecendo tanto as UPPs, quanto o interior, policiais trabalhando sem estrutura. Temos denúncia de que as UPPs não cumprem o objetivo de sua criação, que é a ocupação territorial, trabalho ostensivo, que tem sido limitado pelo poder do tráfico. Queremos apurar todas essas operações, o volume de recursos aplicado e se essa política foi efetiva para o Estado do Rio de Janeiro ou não."

A comissão levou ao general demandas de 4 mil aprovados em concurso na PM, 248 oficiais de cartório e 99 papiloscopistas da Polícia Civil, além de bombeiros, agentes penitenciários e servidores do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), instituição ligada à Secretaria de Educação, mas responsável por lidar com menores infratores.

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