Governo do Rio/Divulgação
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17 presos são transferidos do Rio em ação de segurança para Olimpíada

Segundo juiz titular da Vara de Execuções Penais, decisão foi tomada porque, mesmo de dentro da prisão, os criminosos continuavam a chefiar o tráfico de drogas em diversas comunidades do Rio

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

22 Julho 2016 | 14h40
Atualizado 22 Julho 2016 | 23h17

RIO - Dezessete presos, na maioria chefes de facções que cumpriam pena no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio, foram transferidos nesta sexta-feira, 22, para presídios federais em outros Estados, por determinação da Justiça. A decisão foi tomada porque, mesmo encarcerados, eles continuavam a chefiar o tráfico de drogas em várias comunidades. Em julho, os presídios fluminenses atingiram o recorde de superlotação, com 82% mais presos do que vagas.

Segundo o juiz da Vara de Execuções Penais, Eduardo Oberg, a ação faz parte do planejamento de segurança para a Olimpíada. “Estes presos continuavam a se comunicar com o exterior para comandar o tráfico nas comunidades”, explicou o juiz ao Estado. O pedido de transferência foi feito pela Secretaria de Segurança e pelo Ministério Público Estadual (MPE). 

Dezesseis dos transferidos são traficantes. A maioria é ligada à facção criminosa Comando Vermelho. Os outros pertencem ao Terceiro Comando e à ADA (Amigo dos Amigos). Há ainda um miliciano. A transferência acontece após o aumento, nas últimas semanas, da sensação de insegurança nas ruas, com assaltos e assassinatos, sob especulações de que as ordens para os crimes partiriam de presídios. Havia ainda, por parte de autoridades, temor de rebeliões nos presídios durante a Olimpíada.

Foram transferidos Adilson da Hora Júnior (Nico), Claudemir Paixão (Negão da 12), Cléverson Silva (Trek do Amor), Edson Souza (Orelha), Eduardo Paixão (Duda 2D), José Benemário de Araújo, José Ricardo Couto (Paiol), Leonardo Marques (Sapinho), Luiz Cláudio Gomes (Pão com Ovo), Wallace Soalheiro (Pixote), Anderson Verdan, Bruno Affonso, Carlos Vinícius Silva, Marcelo Leitão, Thiago Aguiar, Thiago Cheru, e Wallace Torres.

Sob forte escolta, eles foram levados para os presídios de Catanduvas (PR), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO). Participaram da operação de transferência 70 policiais militares do Batalhão de Choque e dez batedores. Com a medida, chegou-se ao número de 32 presos transferidos do Rio para outros Estados em menos de um mês. 

No último dia 22, Oberg havia determinado a transferência de outros 15 presos de Bangu para outros Estados. A decisão foi tomada após os detentos promoverem uma festa dentro do Complexo de Gericinó para comemorar o resgate do bandido Nicolas Pereira de Jesus, o Fat Family. Eles teriam planejado, de dentro da prisão, o resgate do traficante do Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio - unidade referência para a Olimpíada.

Superlotação. No último dia 12, foi registrado recorde da população carcerária do Rio: 49.874 presos, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) obtidos pelo Estado. Isso representa superlotação de 82% nas prisões, com capacidade para 27.242 custodiados - 22.360 de excesso. 

Entre os 53 presídios do Rio, 34 (64%) estão superlotados. Das nove unidades de regime fechado, oito estão com lotação acima da capacidade. 

Preocupação. Agentes penitenciários têm relatado clima de tensão por problemas estruturais. Segundo funcionários do sistema penitenciário, o Grupamento de Intervenção Tática da SEAP já teria usado bombas de efeito moral e balas de borracha para conter tumultos.

Com a crise, que deixou o Estado sem dinheiro para despesas básicas, facções criminosas estariam fornecendo medicamentos e materiais de higiene pessoal aos presos. Há detentos dormindo no relento e revezamento de colchões, dizem funcionários, sob anonimato.

O secretário de Administração Penitenciária, Erir Ribeiro, afirmou que a rotina nos presídios “permanece a mesma, conforme determina a Lei de Execuções Penais, com direito a banho de sol, refeições e visitas após o cadastramento”. Ele disse “não haver informes” sobre rebeliões e ressaltou que todas as unidades prisionais têm assistência social e de saúde.

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