Marcos Arcoverde / Estadão
Marcos Arcoverde / Estadão

Dois delegados e cinco agentes da Polícia Civil são presos no Rio durante operação

Grupo é acusado de organização criminosa, extorsão mediante sequestro, concussão, roubo qualificado e prevaricação

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

18 de outubro de 2018 | 09h58

RIO - A Corregedoria da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu na Operação Infiltrados nesta quinta-feira, 18, sete policiais civis, sendo dois delegados e cinco agentes, sob suspeita de ligação com o tráfico de drogas da favela da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense.

Eles são acusados de organização criminosa, extorsão mediante sequestro, concussão, roubo qualificado e prevaricação. O grupo teria sequestrado um criminoso e cobrado resgate da família e também liberado suspeitos presos mediante pagamento de propina.

Além disso, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7.ª Vara Criminal de Mesquita.

A investigação usou interceptação de conversas telefônicas autorizadas pela Justiça, análise de dados, colaboração premiada, infiltração e diligências de campo.

A interceptação de conversas telefônicas e informações vindas de colaboração premiada mostraram que policiais da 53ªDP (Mesquita) sequestraram, no dia 30 de agosto do ano passado, um traficante da Chatuba, e o mantiveram sob ameaça dentro da própria delegacia até que a família dele pagasse por sua libertação. O criminoso já tinha antecedentes criminais por roubo qualificado e havia mandado de prisão expedido pela Justiça em aberto contra ele. O bandido foi preso em uma operação posterior.

As investigações mostraram também que em uma outra situação, os agentes liberaram um homem que havia sido  preso em flagrante por roubo qualificado. Ele chegou a ser reconhecido pelas vítimas. Os policiais o liberaram e seu auto de prisão em flagrante foi cancelado. Poucos dias depois, o homem foi baleado em confronto com policiais.

 Em um caso grave de violência doméstica, ocorreu libertação do agressor mediante pagamento de propina. O homem havia sido conduzido por policiais militares à delegacia. Não foi feito sequer registro do fato.

Prisões

 A ação desta quinta-feira foi deflagrada pela Corregedoria Interna da instituição. Os sete mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 7ª Vara Criminal de Mesquita e a operação conta com a participação de 12 delegados e 40 agentes.

 Quatro dos presos estão lotados na 53ªDP (Mesquita), dois na 52ªDP (Nova Iguaçu) e um na 44ªDP (Inhaúma, zona norte do Rio).

 Na terça-feira, 16, 25 PMs foram presos em uma operação contra o tráfico de drogas no Sul Fluminense. Eles são acusados de receber propinas de traficantes que variavam de R$ 500 a R$ 2 mil quinzenais.

 Os alvos eram PMs associados a uma quadrilha que atua nas cidades de Volta Redonda, Itatiaia e Resende. Foram expedidos 100 mandados de prisão e 191 mandados de busca e apreensão. Até as 18 horas havia 81 presos, sendo 77 por força dos mandados e quatro, em flagrante.

Soldados, cabos e sargentos do 28º Batalhão da PM (Volta Redonda) foram enquadrados em crimes como associação criminosa armada, corrupção, tráfico e roubo. Trinta e dois agentes da unidade estariam envolvidos e teriam permitido a venda de drogas em áreas dominadas pelos criminosos.

Houve casos de recebimento de R$ 10 mil para liberação de presos e de R$ 5 mil por grandes quantidades entorpecentes devolvidas. E também registros de entorpecentes apreendidos e entregues de volta aos bandidos logo na sequência, mediante pagamento de R$ 1,5 mil.

A operação foi do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do órgão, e foi realizada em parceria com a Polícia Federal, a Corregedoria e a Coordenadoria de Inteligência da PM e do próprio 28º BPM.

O trabalho baseou-se em sete denúncias feitas ao Gaeco, que se referiam aos 32 PMs e a 70 traficantes. Interceptações telefônicas revelaram que os grupos de traficantes inclusive indicaram votos em políticos que apoiavam. /COM AGÊNCIA BRASIL

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