Dois policiais militares são investigados por morte de menor no Rio

Após ser apreendido, adolescente foi encontrado morto no morro do Sumaré, no centro da capital fluminense

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2014 | 16h23

Atualizada às 20h41

RIO - Os cabos da Polícia Militar Fábio Magalhães Ferreira, de 35 anos, e Vinícius Lima Vieira, de 32, tiveram a prisão temporária decretada pelo plantão judiciário do Rio na tarde desta quarta-feira, 18. Eles são acusados de terem executado um adolescente de 14 anos, detido por roubo, com um tiro de fuzil na cabeça. O corpo do garoto foi encontrado no Morro do Sumaré, na zona norte da capital fluminense, na madrugada de terça-feira. 

Mateus Alves dos Santos, de 14 anos, e outro adolescente foram detidos no dia 11, quando praticavam assaltos na Avenida Presidente Vargas, região central da cidade. Os garotos não foram levados para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, como é a recomendação para casos como esses. 

O menino que acompanhava Mateus diz que rodaram por cerca de uma hora no carro da polícia e foram levados para o alto do Morro do Sumaré. Lá, foram baleados e arremessados do alto do morro. O adolescente que sobreviveu foi atingido nas costas e na perna. Ele se fingiu de morto e depois fugiu pela mata em direção ao Morro do Turano, no Rio Comprido, na zona norte, e seguiu para o Complexo da Maré, onde mora. Mateus, baleado na cabeça, morreu na hora. 

O caso foi denunciado à Corregedoria da Polícia Militar pelo pai de Mateus, que começou a investigar o caso. Os cabos foram identificados pela câmera interna do carro da PM. As imagens gravadas mostram o momento em que os adolescentes são colocados no banco de trás do carro e os policiais descendo o morro sem os jovens.

O áudio das conversas ainda está sendo analisado. O trajeto do carro também foi rastreado pelo aparelho GPS - os policiais passaram pelo Sumaré. 

Execução. Os cabos foram detidos na noite de terça-feira e prestaram depoimento à Divisão de Homicídios (DH). Para o delegado Rivaldo Barbosa, havia indícios suficiente para pedir a prisão temporária dos policiais. “Para a DH está clara e evidente a participação dos PMs na execução do adolescente”, afirmou Barbosa.

Ele ressaltou ainda que a colaboração “irrestrita e imediata” da Polícia Militar foi fundamental para se chegar aos acusados do crime. 

O corregedor da corporação, coronel Sidney Camargo de Melo, informou que, além do inquérito aberto pela Polícia Civil, os PMs responderão a Inquérito Policial Militar, na Justiça Militar. O Estado não conseguiu localizar o advogado Marcelo Bruner, que defende os dois policiais militares acusados do crime. Ele não havia recorrido da prisão até as 18h30 desta quarta. 

Candelária. A morte de Mateus acontece às vésperas do 21.º aniversário da Chacina da Candelária. Em julho de 1993, PMs mataram oito crianças que dormiam em marquises próximas à Igreja da Candelária, na Avenida Presidente Vargas. Como Mateus, elas também cometiam pequenos furtos e assaltos na região do centro do Rio. 

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