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'Doutor Bumbum' é procurado após morte de paciente em procedimento estético

Paciente não resistiu a complicações de atendimento feito na residência do profissional; ele não tinha título de especialista em cirurgia plástica

Vinicius Neder, Fabiana Cambricoli, Isabela Palhares e Fátima Lessa, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2018 | 14h37
Atualizado 18 de julho de 2018 | 11h58

RIO – O médico Denis Cesar Barros Furtado - conhecido como 'Doutor Bumbum' - é procurado pela Polícia Civil do Rio sob acusação de homicídio da bancária Lilian Calixto, de 46 anos, que morreu durante um procedimento estético no apartamento do suspeito, na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. Lilian morava em Cuiabá, em Mato Grosso, e viajou ao Rio para realizar a intervenção estética nos glúteos.

A paciente passou mal após o procedimento e foi levada a um hospital, na Barra da Tijuca, pelo próprio médico, acompanhado da mãe, da namorada e de uma secretária dele. Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelo “RJTV”, da TV Globo, mostram Lilian chegando ao hospital, num táxi, acompanhada do grupo. Conforme a filmagem, a paciente deu entrada por volta de 22h50 do sábado, dia 14.

Segundo o “RJTV”, a família de Lilian foi surpreendida ao saber que o procedimento foi realizado no apartamento de Furtado. A paciente morreu na madrugada de domingo, horas depois de dar entrada no hospital.

A Polícia Civil conseguiu desvendar o caso a partir do depoimento do taxista que levou Lilian ao apartamento do médico e aguardava o término do procedimento para levá-la de volta ao aeroporto. Furtado chegou a ser localizado pelos policiais, em um shopping na Barra da Tijuca onde funcionaria sua clínica, mas conseguiu fugir.

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“Conseguimos detectar o carro dele saindo de lá, notadamente retirando coisas. Ele recebeu voz de prisão, mas conseguiu evadir, abandonando o carro. Então, ele já é considerado foragido”, disse ao RJTV a delegada Adriana Belém, que investiga o caso.

A mãe do médico também está foragida. Foram presas a namorada de Furtado e a secretária do médico. O portal de notícias G1 informou que Furtado tem diversas passagens pela polícia, desde 1997, incluindo uma por homicídio. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que Furtado não tinha registro para trabalhar no Estado e que abriu sindicância para apurar o caso. Uma página profissional de Furtado na internet informa que ele possui registro nos conselhos do Distrito Federal e de Goiás.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) informou que o médico não possui especialidade registrada na autarquia e responde a processo ético-profissional. Em março de 2016, o médico foi alvo de uma interdição cautelar para o exercício da profissão pelo conselho, a qual foi suspensa três meses depois pela Justiça, em Brasília. O processo tramita em sigilo processual. 

O CRM-DF também informou que a competência para instaurar sindicância é do conselho regional onde ocorreu o fato punível. Portanto, neste caso, o Cremerj ficará responsável por instruir a possível infração ética no procedimento realizado na paciente Lilian.  Após a conclusão, o processo deverá ser encaminhado ao Conselho Federal de Medicina (CFM). 

O perfil do médico no Facebook segue no ar, e já foi alvo da indignação de internautas, com pedidos de justiça e acusações contra Furtado. “Até que enfim vão pegar esse pilantra. Fez horrores em uma paciente minha idosa, sem muito discernimento. Chegou a atendê-la até no salão de festa do prédio. Ele e a mãe são dois pilantras. Cadeia já!!!”, diz um dos comentários.

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A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) lamentou a morte de Lilian e informou que o médico não tinha título de especialista na área.  Destacou ainda que é proibida a realização de procedimentos na residência do médico. "A formação do cirurgião plástico é diferenciada, uma vez uma vez que ele deve obrigatoriamente, após os seis anos da graduação em medicina, passar pela formação de cirurgião geral (dois anos) antes de cumprir mais 3 anos em cirurgia plástica, somando no mínimo 11 anos de formação", destacou a entidade, em nota.

A SBCP informou ainda que disponibiliza em seu site, Facebook, e-mail ou telefone consulta para os pacientes saberem se o médico é ou não credenciado pela sociedade para realizar uma cirurgia plástica. 

O procedimento estético a que foi submetida a bancária é uma aplicação de polimetilmetacrilato (PMMA). O PMMA é um plástico rígido, transparente e incolor, que há alguns anos tornou-se popular em procedimentos estéticos de preenchimento, as chamadas bioplastias, principalmente nos glúteos. Por se tratar de um produto não absorvível pelo corpo humano e, consequentemente, um procedimento arriscado, ele caiu em desuso. 

Defesa

O escritório de Naiara Baldanza, que defende Furtado, informou no fim da tarde desta terça que só enviaria uma nota sobre o caso nesta quarta.

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