Antonio Scorza/Agência O Globo
Antonio Scorza/Agência O Globo

‘Ele não poderia nunca estar dirigindo’, diz vítima de atropelador de Copacabana

Valdinei de Lima Nascimento tomava uma cerveja num quiosque da orla, quando foi atropelado no calçadão

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 12h38
Atualizado 19 Janeiro 2018 | 16h54

RIO - Pintor desempregado, Valdinei de Lima Nascimento, de 33 anos, tomava uma cerveja num quiosque da praia de Copacabana, na noite de quinta-feira, 18, quando foi atropelado no calçadão. Ele tinha acabado de cumprir a função que tem como bico: ajudar um barraqueiro com barracas e cadeiras usadas pelos banhistas.

"Quebrei a clavícula, não consigo andar, levei pontos no rosto. Mas acho que nasci de novo, podia ter morrido, como o bebezinho", disse, nesta sexta-feira, 19, enquanto esperava a mãe para buscá-lo no Hospital Miguel Couto,  no Leblon.

+++ Motorista do acidente em Copacabana não contou ter epilepsia ao tirar carteira

Nove vítimas do atropelador, Antonio Anaquim, ainda estão internadas. Entre elas estão um bebê de 2 anos e crianças de 7 e 10 anos.  O carro atingiu 17 pessoas, matando um bebê de 8 meses. A mãe da menina foi com o marido reconhecer o corpo da filha no Instituto Médico Legal nesta manhã de sexta-feira, 19. Abalada, não conseguiu sequer sair do carro em que foi levada.

"Tiraram meu bebê de mim", chorava.

O caso mais grave é de um turista de 68 anos, da Austrália. As demais vítimas tiveram fraturas nas pernas, traumas na face e escoriações. O australiano respira com ajuda de aparelhos.

Anaquim disse ter tido uma ataque epiléptico ao volante.

+++ Mãe de bebê morto em atropelamento no calçadão de Copacabana está em estado grave

Uma mulher que o acompanhava confirmou que ele teve um ataque no veículo e desmaiou. O motorista deverá responder por homicídio culposo, segundo a polícia.

O calçadão estava lotado, por ser período de férias e fazer muito calor. "Foi muito rápido, não deu para entender. Estava sentado tomando cerveja e, de repente, no chão. Mas vou superar. Pior foi para as crianças e bebês. Foi muito pânico", contou Nascimento.  

"Ele nunca poderia estar dirigindo se tem epilepsia. É uma irresponsabilidade, ninguém tem nada com isso", criticou o pintor. Ele está com um dos joelhos muito inchado, pela pancada. Ele está desempregado há um ano e agora se preocupa com os documentos e os pertences que deixou para trás no calçadão com o atropelamento. "Ficou tudo lá. Perdi os documentos mas fiquei com a vida."

O Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ) informou que o motorista Antonio Anaquim teve processo de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aberto em maio de 2014 e não cumpriu a exigência de devolução do documento para fazer o curso de reciclagem. O órgão instaurou processo de cassação da carteira.

"O Detran esclarece que cumpriu com todo o trâmite do Código Brasileiro de Trânsito", diz nota enviada à imprensa, em que o órgão se solidariza com as vítimas do acidente. "O Detran-RJ informa que pessoas com epilepsia podem ter CNH. No entanto, para ter a CNH validada, os cidadãos precisam passar por uma avaliação neurológica. Quando apto para dirigir, o exame médico terá validade menor de acordo com a avaliação médica e o cidadão só poderá ter a CNH na categoria B (somente para carros).  No caso do acidente, o motorista, durante seu exame de validação médica, negou ter qualquer doença neurológica, inclusive epilepsia."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.