Marcio Dolzan/Estadão
Marcio Dolzan/Estadão

'Eles tinham de fazer isso, se não eu estava também esticado aí'

Filho de idosa que morreu em incêndio no hospital Badim foi impedido de salvar a mãe; no entanto, ele não viu negligência dos bombeiros ou dos funcionários

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 14h57

RIO DE JANEIRO - Tudo começou com uma falta de luz. Em seguida, a energia voltou, mas veio acompanhada de um cheiro de queimado que tomou conta do CTI. Inicialmente, o cheiro era de plástico queimado, mas em seguida o odor mudou e passou a cheirar a óleo diesel. A fumaça, negra, veio rapidamente e logo a visibilidade era pouca nos corredores do Hospital Badim, na Rua São Francisco Xavier, no Maracanã, na zona norte do Rio, segundo o relato do advogado Carlos Outerelo, que perdeu a mãe, Berta Gonçalves Berreiros Sousa, de 93 anos, no incêndio. O fogo começou no início da noite de quinta-feira, 12, e deixou dez mortos.

Outerelo foi impedido de acompanhar a retirada de sua mãe do CTI, mas não criticou o trabalho do Corpo de Bombeiros nem viu negligência na atuação de funcionários do hospital. “Estava lá, tentei retirar, mas fui impedido. Na hora, racionalmente, você acha que está tudo errado, mas eles tinham que fazer isso, se não eu estava também esticado (morto) aí, porque era muita fumaça”, afirmou o advogado, na saída do Instituto Médico-Legal (IML), onde reconheceu o corpo de sua mãe.

Berta Gonçalves estava internada havia três dias, com pneumonia e tinha mal de Parkinson. Outerelo, que acompanhava a mãe na noite de quinta-feira, 12, disse que ela estava semi-consciente. Quando a fumaça tomou,  o CTI estava lotado. Outerelo tentou deixar o local com a mãe. “Até um determinado ponto, conseguimos levá-la. Só que quando chegou a escada (com porta) corta-fogo, ela estava tomada, com um congestionamento de pessoas e macas. Tivemos que retornar, porque havia mais dois pacientes atrás da minha mãe. Nessa que eu tentei voltar com ela, os bombeiros impediram que eu fosse”, contou Outerelo.

Ele lamentou não ter conseguido salvar a mãe. “É triste, muito triste, mas fui impedido. De certa forma, os bombeiros agiram... Se não, eu estava aí (no IML) também”, completou.

O advogado elogiou a atuação dos funcionários do hospital. “Tinha uma rapidez, eles tentaram de tudo. Os profissionais tentaram. Foi muito rápido e era uma fumaça altamente tóxica”, disse Outerelo.

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