WILTON JUNIOR/ESTADÃO/24-05-2005
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Elias Maluco é encontrado morto na Penitenciária Federal de Catanduvas

Elias Pereira da Silva cumpria pena pela morte do jornalista Tim Lopes, além de ser acusado da autoria de outros crimes. Circunstâncias da morte não foram esclarecidas pelo Departamento Penitenciário Nacional

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2020 | 18h45
Atualizado 23 de setembro de 2020 | 20h09

O traficante Elias Pereira da Silva, conhecido como Elias Maluco, foi encontrado morto na tarde desta terça-feira, 22, na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, onde cumpria pena, segundo informou o Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Integrante da facção criminosa Comando Vermelho e considerado líder do tráfico de drogas no complexo de favelas do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, Elias estava preso desde setembro de 2002. Acusado por outros homicídios, além de crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, ele foi condenado pela morte do jornalista Tim Lopes, que trabalhava na TV Globo e foi rendido, torturado e assassinado enquanto trabalhava.

O Depen não esclareceu as circunstâncias da morte – se o traficante morreu por causa natural ou se foi assassinado, por exemplo. Segundo nota emitida pelo órgão federal, o local da morte foi preservado até a chegada da Polícia Federal, responsável pela perícia. A família foi comunicada sobre a morte pelo Serviço Social da penitenciária.

Elias Maluco acumulava condenações na Justiça

Em junho de 2002, a quadrilha liderada por Elias Maluco rendeu e matou Tim Lopes, que fazia uma reportagem sobre abuso de menores em um baile funk na Vila Cruzeiro, uma favela da Penha, na zona norte do Rio. Com uma microcâmera, ele filmava a prática de crimes. O jornalista foi rendido, torturado e morto, segundo testemunhas. Seu corpo foi queimado numa fogueira de pneus.

Em 18 de setembro daquele ano, três meses após o crime, ao final de uma operação da polícia que durou mais de 50 horas, Elias foi preso na favela da Grota, no complexo do Alemão. Em 25 de maio de 2005 ele foi condenado pelo 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro a 28 anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver. Além de Elias, outras seis pessoas foram condenadas pelo crime.

Elias já tinha condenações anteriores. Em dezembro de 2002, foi condenado a 13 anos de prisão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Em novembro de 2003, foi condenado a 18 anos de prisão em outro processo por crimes idênticos. Outro processo contra Elias Maluco terminou em 2013, quando ele foi condenado por lavagem de dinheiro.

Traficante estava em presídios federais desde 2007

De setembro de 2002 a janeiro de 2007, Elias Maluco ficou preso no complexo penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio. Em 4 de janeiro, ele foi transferido para o presídio federal de Catanduvas, junto com 11 outros chefes das facções criminosas Comando Vermelho e Terceiro Comando. O grupo foi acusado de planejar a queima de ônibus e atentados contra delegacias e postos da Polícia Militar realizados no Rio de Janeiro em 28 de dezembro de 2006, quando 19 pessoas morreram.

Em 25 de novembro de 2010, após outra onda de violência no Rio de Janeiro, Elias Maluco e o também traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, acusados de liderar os ataques, foram transferidos para a Penitenciária Federal de Porto Velho. Em 18 de agosto de 2011, Elias Maluco foi novamente transferido, desta vez para o presídio federal de Campo Grande. Até a publicação desta reportagem, o Depen não havia informado quando o traficante voltou à penitenciária de Catanduvas, onde morreu nesta terça-feira.

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