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Em 3 dias, 4 mulheres são mortas pelos companheiros no Rio

Único acusado que ainda está solto é o advogado Gutemberg Gonçalves, de 53 anos, que teria matado a ex-mulher de 27 anos; polícia oferece R$ 2 mil de recompensa por informações

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

21 de abril de 2015 | 17h02

RIO - Em três dias, quatro mulheres foram mortas pelos companheiros em crimes aparentemente passionais no Estado do Rio. O único acusado dos crimes que ainda está solto é o advogado Gutemberg Augusto Martins Gonçalves de 53 anos, suspeito de executar a ex-mulher, Mylena da Silva Bessa, de 27, em Niterói, na região metropolitana do Rio. O Disque-Denúncia oferece R$ 2 mil de recompensa por informações sobre seu paradeiro. 

O crime foi no sábado. Segundo a polícia, Mylena estava no carro de um amigo, em Charitas, quando o ex-marido chegou apontando-lhe uma arma. O amigo fugiu, e o acusado atirou em Mylena. Ela morreu na hora. O amigo de Mylena prestou depoimento e acusou o advogado. Parentes contaram à polícia que Gonçalves não aceitava o fim do casamento, no começo do ano. 


Na segunda-feira, foi preso o pedreiro Cícero Rodrigues da Silva, de 43 anos, que confessou ter assassinado a mulher, Maria José Barbosa, de 29 anos, a facadas e pauladas, dois dias antes. Eles brigaram porque ela teria trocado mensagens no celular com outro homem. 

Depois de matá-la, o pedreiro enterrou o corpo no quintal de casa, em Itaboraí, município próximo a Niterói. Na segunda-feira, foi trabalhar como se nada de anormal tivesse acontecido. Foi preso no local de trabalho. Silva vai responder por homicídio e ocultação de cadáver.

Hercília de Barros Clarimundo, de 65 anos, foi morta da mesma forma pelo marido, o também pedreiro Gilmar Dias Faustino, de 54 anos, em Santa Cruz, na zona oeste. Ele foi preso no domingo, dois dias depois do crime. O casal estava junto havia mais de 20 anos. A motivação não foi divulgada pela polícia, que informou que Faustino e a mulher acumulavam dívidas com agiotas da região. 

Na quinta-feira, a dançarina Amanda Bueno, de 29 anos, foi assassinada pelo noivo, Milton Vieira, de 32, depois de discussões por ciúmes. Ele a imobilizou, bateu a cabeça dela no chão, lhe deu coronhadas e atirou em seu rosto com uma pistola e uma espingarda. O crime foi na área externa de sua casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Vieira foi preso ao tentar fugir em um carro roubado de um vizinho. Alegou que agiu sob “um surto” e que se arrependeu do que fez.

Cultura machista. Fundadora do Instituto Patricia Galvão, Fátima Pacheco Jordão avalia que será difícil a consolidação da lei que tipifica o feminicídio (assassinato de mulheres por motivo de gênero). Avalia que a cultura machista brasileira será um obstáculo relevante. O instituto coordena campanhas contra a contra a mulher da Secretaria de Políticas Para as Mulheres do governo federal.

“É tão arraigada (essa cultura) que a lei mais severa do ponto de vista da punição não consegue ainda neutralizar a força do argumento machista do ‘quem manda sou eu’”, analisa a socióloga, ressalvando que a lei foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff há pouco mais de um mês. “A ideia patriarcal de que o homem não pode ser desafiado nas suas pretensões faz com que ele assuma a propriedade da mulher e isso se sobrepõe ao pacto social de regulação. Quantos assassinos até muito recentemente foram julgados sob essa perspectiva? É um processo cultural incorporado inclusive ao discurso no judiciário”, acredita. Fátima defende o tema da violência contra a mulher seja levado às escolas, como forma de prevenção.

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