FABIO MOTTA/ESTADÃO
FABIO MOTTA/ESTADÃO

Em audiência de conciliação, garis rejeitam proposta e mantêm greve

Empresa de limpeza ofereceu 7,7% enquanto categoria pede 47,7% e aumento do vale-alimentação de R$ 20 para R$ 27 por dia; paralisação dura 6 dias

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 19h37

RIO - Os garis, em greve desde a última sexta-feira, 13, decidiram continuar a paralisação e declinaram de uma proposta de 7,7% de reajuste salarial apresentada pela Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) durante audiência de conciliação entre empresa e funcionários, ocorrida na tarde desta quarta-feira, 18, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Com isso, a categoria terá a legalidade da greve julgada pelo TRT posteriormente. Na sexta-feira, o TRT, em caráter liminar, considerou a paralisação ilegal, determinando o pagamento de R$ 100 mil em multa pelo sindicato por dia de greve, além de escoltas armadas para coibir piquetes em garagens da Comlurb. 

Logo depois da reunião, os garis saíram em passeata do prédio do TRT, na Avenida Presidente Antônio Carlos, no centro, em direção a Botafogo, na zona sul. A manifestação, acompanhada por policiais militares, causa retenções no trânsito da região. "A categoria decidiu isso. Depois que proposta não foi aceita, nada mais foi decidido", disse um dos diretores do Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro, Gilberto Cesar Alencar. Desde o começo da greve, a categoria reivindica 47,7% de aumento salarial e a passagem do vale-alimentação de R$ 20 para R$ 27 por dia de trabalho. 

Lixo acumulado. O acúmulo de lixo por causa da greve atinge principalmente bairros da zona norte e da região central da cidade. Nesta terça-feira, a Comlurb informou que, nos cinco primeiros dias de greve, 15 piquetes foram registrados. As ocorrências foram encaminhadas para as delegacias de Madureira (29ª DP), Piedade (24ª DP), Santa Cruz (36ª DP), Campo Grande (35ª DP), Pedra de Guaratiba (43ª DP) e Vicente de Carvalho (27ª DP), entre outras. Segundo a empresa, uma média de 50% do efetivo operacional para limpeza e coleta tem comparecido aos postos de trabalho e saído às ruas para realizar os serviços, número inferior aos 75% determinado pela Justiça do Trabalho.

Os garis contestam essa versão e afirmam que menores de idade, idosos e moradores de rua vêm realizando atividades de limpeza sem contrato de trabalho e equipamento necessário. Em nota, a Comlurb informou que o plano de contingência da greve tem o apoio de agentes da Guarda Municipal, PM e secretarias de Conservação, Ordem Pública e Obras, "além de empresas terceirizadas de limpeza". A companhia nega o emprego de adolescentes no lugar de grevistas.

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiro garis

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.