Em depoimento, PMs acusam policiais de outros batalhões

Ao menos 44 PMs podem estar envolvidos no esquema que resultou em prisões em Duque de Caxias

Felipe Werneck, do Estadão,

18 de setembro de 2007 | 20h34

Pelo menos mais 44 policiais militares, inclusive de outros batalhões, serão investigados e podem estar envolvidos no esquema de corrupção que resultou, até esta terça-feira, 18, na prisão de 56 PMs do batalhão de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, afirmou o delegado André Drummond (59.ª DP), responsável pela investigação. "Há indícios e informações sobre o possível envolvimento de policiais de outros batalhões. Pode passar de 100", declarou. Ele citou o 34.º Batalhão da PM, em Magé, também na Baixada. Disse, porém, que a nova investigação só deverá começar após a eventual decretação da prisão preventiva e denúncia dos acusados já detidos. "Eles (os policiais) agiam recebendo arrego, cobravam para que o tráfico funcionasse. Se confundia policiais com traficantes. Se não viesse dinheiro, eles (policiais) prendiam (traficantes) e exigiam dinheiro para soltar", disse. A investigação começou em fevereiro, a partir da apreensão de um caderno de anotações de um traficante, no qual havia um número de telefone e um nome, não revelados. "Só existe tráfico por causa do usuário, porque a população não toma vergonha na cara e não pára de fumar e de cheirar, e porque em determinados locais temos maus policiais, que dão cobertura ou se omitem", disse Drummond. O delegado afirmou que o esquema funcionava desde antes da posse do atual comandante do 15.º Batalhão da PM, tenente-coronel José da Silva Macedo Júnior, que assumiu em janeiro. Segundo ele, durante a gestão de Macedo "todos os índices de criminalidade na região foram reduzidos, exceto roubo a transeuntes". Sobre o eventual envolvimento de oficiais, o delegado disse ainda não haver indícios. Ontem, mais quatro policiais se apresentaram e foram detidos. Dois continuavam foragidos até o fim da tarde: um estaria em lua-de-mel, e outro, de férias. O terceiro foragido, um agente penitenciário, seria ex-PM.

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