Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Em teste, bondinho de Santa Teresa volta a circular após 4 anos

Retorno das operações acontece em trecho de 1,7 km de extensão, sem cobrança de passagem; não é mais permitido viagem em pé

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2015 | 11h06

Atualizada às 20h14

RIO - Com o serviço suspenso desde o acidente que matou seis pessoas e deixou 57 feridos, em agosto de 2011, o bondinho de Santa Teresa, na região central do Rio, voltou a circular com passageiros na manhã desta segunda-feira, 27. A volta de um dos cartões-postais da cidade, no entanto, acontece apenas entre os Largos da Carioca e do Curvelo, trecho de 1,7 km, o que corresponde a 16% do percurso original, de 10,5 km.

A previsão inicial era que as obras de recuperação do sistema fossem concluídas antes da Copa do Mundo de 2014. Agora, a expectativa é que os bondes só voltem a operar totalmente no primeiro semestre de 2017, segundo o secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório.

Menos de 20% dos residentes do bairro serão beneficiados pelo trajeto que entrou em operação, segundo Jacques Schwarzstein, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa. “É um trecho muito pequeno, vai beneficiar basicamente os turistas. Não podemos nos iludir”, disse.

Sob o olhar surpreso de pedestres e moradores que saíam à janela para ver a passagem do bonde, as primeiras viagens levaram majoritariamente turistas. “Vim conhecer o bairro e fui surpreendido com a volta do bonde. Foi um passeio muito tranquilo e bonito”, disse José Antônio Soares, de Londrina (PR). Moradora da Lapa, a vendedora Aparecida Bandeira confessou ter ido só passear. “Não costumo vir a Santa Teresa, mas soube da inauguração e decidi vir conhecer”, afirmou.

Nesta primeira fase, não haverá cobrança de passagem. O serviço funcionará de segunda a sábado, das 11h às 16h, com intervalos de 20 minutos. Só dois bondes circularão, com dois reservas. “Se necessário, podemos colocar mais bondes, aumentar o horário ou diminuir o intervalo entre as viagens”, disse o secretário.

Ao contrário do que era costume antes do acidente, não será permitido viajar de pé, nem nos estribos, que no novo modelo são retráteis e acionáveis no momento de parada nos pontos. Cada bonde comporta 32 passageiros.

História. Tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os bondes movidos a eletricidade circulam em Santa Teresa desde 1896. “Houve um processo de sucateamento antes do acidente”, disse Schwarzstein.

A expectativa é que no fim de agosto os trilhos já terão chegado ao Largo dos Guimarães. A etapa seguinte, com percurso até o Silvestre, ainda não tem cronograma definido. Osório admitiu que houve problemas com o consórcio responsável. “O governo reconhece que essa obra não andou no ritmo adequado”, afirmou. O consórcio Elmo Azvi foi multado em R$ 1,35 milhão. A multa ainda não foi paga.


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