Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Em homenagem ao Marrocos, Mocidade inova em comissão de frente e riqueza de detalhes

Parte de um carro desabou e componente caiu na pista; mulher não se machucou

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2017 | 02h39

RIO - Com um enredo sobre o Marrocos e suas riquezas, um samba divertido e carros alegóricos ricos e com enormes esculturas articuladas, a Mocidade contagiou a Sapucaí na madrugada desta terça-feira, 28. Mais uma vez com o carnavalesco Alexandre Louzada, a escola de Padre Miguel, na zona oeste do Rio, apresentou carros e fantasias dos mais bonitos de seus últimos desfiles. 

No quarto carro, que representava a costa marroquina, um queijo (local onde ficam os destaques) desabou, e a componente que estava sobre ele caiu na pista. Ela não se machucou, porque a altura era pequena. Foi um contratempo num desfile bem sucedido e animado. 

Da comissão de frente, em que evoluíram Aladim e beduínos, ao último carro, que representava o carnaval, o oásis no deserto da Mocidade, a escola, que brincou com a coincidência entre as altas temperaturas do bairro em que está baseada, e as áreas desérticas marroquinhas - "o Saara de lá, o Saara de cá" - merecia voltar entre as seis melhores no sábado. A Mocidade não participa do desfile das campeãs desde 2003.

A apresentação teve muito dourado, alusão à riqueza mineral do Marrocos, mais do que o verde e branco da bandeira. Cinco dois seis carros tinham esculturas articuladas; o efeito ficou especialmente interessante no abre-alas, com camelos que balançavam a cabeça, e no segundo, e que Aladim tocava agogô, num encontro da cultura carioca com a árabe.

"Foi muito emocionante. Acho que sou a pessoa mais nervosa do carnaval. Nós enfrentamos dificuldades e superamos", disse Alexandre Louzada, ao fim da apresentação, referindo-se à ausência do patrocínio que era esperado, de empresas árabes.

Solidariedade. Um integrante da Mocidade Independente colocou rosas brancas no local do acidente que deixou 20 feridos na noite de domingo. "A gente é solidário ao que aconteceu, as flores simbolizam nosso amor pelo carnaval", disse o presidente da Mocidade, Wandyr Trindade, momentos antes do início do desfile da escola.

O acidente de domingo, 26, foi provocado por um problema no último carro do Paraíso do Tuiuti, que, desgovernado, imprensou pessoas contra a grade, esmagando-lhes os membros inferiores.

Mais cedo, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, abriu a Passarela do Samba pedindo uma oração para as vítimas. Ele contou que visitou uma das pessoas hospitalizadas, mas não pôde entrar, por se tratar de um Centro de Tratamento Intensivo (CTI), área restrita. Nesta terça-feira, 28, Castanheira pretende voltar, com o presidente da Riotur, Marcelo Alves, para visitar outras vítimas.

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