Grupo Mascote Animal
Grupo Mascote Animal

Em Macaé, pets sofrem com a crise econômica

ONGs detectaram aumento na quantidade de animais, alguns de raça, abandonados nas ruas da cidade nos últimos meses

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2015 | 07h25

RIO - Além dos reflexos econômicos, como demissões e suspensões de contratos, os efeitos da crise da Petrobrás nos municípios fluminenses têm afetado até mesmo cachorros e gatos domésticos. Em Macaé, polo petrolífero a 180 quilômetros do Rio, organizações não governamentais detectaram aumento na quantidade de animais, alguns de raça, abandonados nas ruas da cidade nos últimos meses.

Cães das raças golden retriever, poodle, labrador e até um pitbull foram resgatados nas últimas semanas pelo grupo Mascote Animal. Com ao menos 120 cães e gatos sob seus cuidados, os oito voluntários da ONG já não têm espaço para abrigar mais bichos.

“Muitas pessoas vieram para Macaé por causa de trabalho e, agora, estão indo embora. Tem gente que abandona mesmo os animais e outros nos procuram, mas estamos lotados”, afirmou Rejane Esteves, de 34 anos, voluntária do Mascote Animal.

Estudante de Biologia, Rejane abriga 15 animais em casa. Gasta cerca de R$ 200 por semana com ração e medicamentos. “Os animais de raça são os que mais sofrem com o abandono porque estão acostumados a ter comida à vontade, não sabem procurar por alimento nem lidar com brigas por território. Acabam se machucando”, disse a voluntária. Segundo Rejane, muitas pessoas se sensibilizam com os animais abandonados, mas procuram a ONG por não saber o que fazer.

Dedicação. A psicóloga Fátima Cardoso, de 59 anos, abriga 15 cachorros em sua residência e cuida de 40 animais distribuídos em espaços cedidos por outras pessoas, os chamados lares provisórios. “Tem gente que pensa que minha casa é abrigo e abandona o animal na porta, na maior cara de pau. Mas eu não tenho mais condições”, afirmou ela, Integrante da ONG Pró-Animal Macaé.

Após o período sob cuidados nos lares provisórios, os animais são oferecidos para adoção. “Os animais se machucam muito quando estão na rua, perdem a pata, ficam com o pelo feio. Aí, ninguém quer adotar”, afirmou Fátima, que aproximadamente há dez anos recolhe animais das ruas.

Gastos. Todos os custos com ração, medicamentos e castração são arcados pelos próprios voluntários. “Faço tudo por conta própria. Falta apoio das autoridades”, disse Fátima.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.