Em meio a conflitos, PM do Rio anuncia nesta 4ª esquema de eleições

No primeiro turno, a operação conjunta com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) envolveu 29,5 mil policiais militares

O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2014 | 19h13

RIO - Em meio a uma série de conflitos pelo controle do tráfico de drogas em favelas da capital, principalmente em áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a Polícia Militar do Rio deve anunciar nesta quarta-feira, 22, o esquema de segurança para o segundo turno das eleições.

No primeiro turno, a operação conjunta com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) envolveu 29,5 mil PMs. O Comando Militar do Leste informou que a participação do Exército na “garantia da votação e apuração no segundo turno será, até o momento, apenas no Complexo da Maré (zona norte), pelo fato de as tropas já estarem no local” desde abril. São 2.700 militares - no mês passado, a Avenida Brasil, uma das principais da capital, foi interditada por blindados das Forças Armadas durante um confronto com criminosos.

A disputa pelo controle do tráfico no Morro da Mangueira, na zona norte, impõe uma rotina de guerra aos moradores. A favela tem uma UPP desde novembro de 2011, mas os tiroteios são frequentes. Os conflitos se intensificaram após a morte do traficante Francisco Paulo Testas, o Tuchinha. Ele teria sido assassinado por criminosos rivais que tentam dominar o comércio de drogas na comunidade. Na noite de sexta, um soldado da UPP foi baleado e morreu. Outro PM ficou ferido.

Na Ladeiras dos Tabajaras, em Copacabana, na zona sul, onde a UPP existe desde 2010, houve um confronto supostamente entre traficantes de facções rivais na sexta-feira. Por causa do tiroteio, o Túnel Velho, que liga os bairros de Botafogo e Copacabana, foi fechado por volta das 22 horas e só reabriu seis horas depois. Já Rocinha, em São Conrado, zona sul, que também tem uma UPP desde 2012, um corpo foi encontrado no sábado. Lá, os tiroteios têm sido frequentes.

Operação. A Secretaria de Segurança informou nesta terça-feira que operações conjuntas realizadas pelas polícias Civil e Militar em três comunidades com UPPs resultaram na prisão de seis acusados e na apreensão de dois fuzis. “O Estado não vai recuar um milímetro nessas comunidades”, afirmou, em nota, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

Na Ladeira dos Tabajaras, os policiais prenderam quatro suspeitos de tráfico. De acordo com a secretaria, eles estavam “envolvidos em ato criminoso contra a UPP da comunidade no fim de semana”. 

Na Mangueira, policiais apreenderam nesta terça-feira um fuzil calibre 556, dois carregadores, munições, uma granada e fardamentos do exército, segundo o comando da UPP. Um suspeito foi detido. De acordo com a polícia, também foram apreendidos 99 frascos de lança-perfume, 49 comprimidos de ecstasy, duas embalagens com pasta base de cocaína, uma prensa hidráulica, uma balança de precisão e material para endolação de entorpecentes. No domingo, foi preso um acusado pela morte do policial militar Thiago Rosa Coelho da Silva, baleado na sexta.

Já na Providência, em operação realizada na segunda-feira, foi preso um suspeito em cumprimento a mandado de prisão por roubo. Segundo a PM, foram apreendidos um artefato explosivo de fabricação caseira, 233 papelotes de cocaína, 162 pedras de crack e 40 trouxinhas de maconha, além de material para endolação de entorpecentes. Moradores de outras favelas como as do Complexo do Alemão, na zona norte, que recebeu UPPs em 2012, também convivem com frequentes tiroteios nos últimos meses. 

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