Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Embaixador da Guiné Equatorial nega financiamento do desfile da Beija-Flor

Benigno Tang disse que apenas agentes do meio cultural do país, que foi tema do desfile da escola carioca, contribuíram com dinheiro

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

17 de fevereiro de 2015 | 08h09

RIO - O embaixador da Guiné Equatorial no Brasil, Benigno Pedro Matute Tang, negou que o governo de seu país tenha financiado o desfile da Beija-Flor. A escola de samba homenageou o país africano com o enredo "Um griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade". A agremiação teria recebido R$ 10 milhões para colocar o samba na Sapucaí.


"Foram financiadores culturais. Um deu 50 euros, outro deu 100 euros. Não temos como saber quanto cada um deu, o valor exato. O governo não tem nada a ver com isso. Somente pessoas do meio cultural", disse Tang ao Estado. "O que a imprensa divulgou é uma soma muito excessiva. Se quiserem, podemos verificar e fazer a estimativa em detalhes em vez de falar no ar", acrescentou.



Segundo o embaixador, o país veio acompanhar o desfile com uma comitiva de aproximadamente 40 pessoas, incluindo o vice-presidente, Teodoro Nguema Obiang Mangue, o Teodorin, e alguns ministros. O presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, contudo, não viajou ao Brasil, disse o embaixador. Em meio à dispersão da Beija-Flor na Sapucaí e sem chamar atenção com esquemas de segurança, o embaixador disse acreditar que a homenagem feita pela escola de samba ao país africano é uma maneira de fortalecer as relações culturais entre os dois países.


"Nós estamos confiantes de que estamos promovendo e materializando a relação entre Brasil e Guiné Equatorial. É algo cultural", disse ao Estado.


A Guiné Equatorial tinha um camarote no setor 2 da Sapucaí decorado com as cores de sua bandeira, branco, verde e vermelho. Segundo funcionários, o filho do presidente veio apenas para assistir à Beija-Flor e foi embora assim que o desfile acabou. O camarote, amplo e decorado com refinamento, era para poucos convidados e tinha ar condicionado potente, além de bebida e comida liberadas.


Quem fez a ponte entre o país e a Beija-Flor foi Teodorin. Playboy internacional, com residências de luxo em vários países e processos por crimes financeiros, ele é frequentador da Sapucaí. Em 2013, convidou mais de cem integrantes da escola de Nilópolis para se apresentar na festa da independência do país. Daí surgiu a ideia do enredo para 2015, que teve como objetivo oficial divulgar a Guiné Equatorial como destino turístico. COLABOROU ROBERTA PENNAFORTI

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