Entidade que representa policiais recomenda à Prefeitura do Rio cancelar festa de Réveillon

Segundo a entidade, a possibilidade de protestos, devido à crise no Estado, durante os festejos pode ter 'dimensão e alcance incalculáveis'

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

28 Dezembro 2016 | 22h23

RIO - Três dias antes da festa de Réveillon que deve reunir 2 milhões de pessoas na praia de Copacabana, na zona sul do Rio, uma entidade que representa os policiais militares e bombeiros do Estado do Rio divulgou nesta quarta-feira (28) carta aberta em que recomenda à Prefeitura do Rio que cancele esse evento e as outras nove festas organizadas pelo município para comemorar a chegada de 2017.

“Antevendo a possibilidade da ocorrência de manifestações que, pela amplitude e quantidade de pessoas envolvidas, poderão tomar proporções violentas e atentatórias à integridade da população presente ao evento”, a Associação de Oficiais Militares Ativos e Inativos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (Aomai) “recomenda o cancelamento dos shows artísticos e pirotécnicos no município do Rio”, diz a carta, assinada pelo presidente da entidade, Adalberto de Souza Rabelo.

Para justificar a recomendação, a entidade - que reúne cerca de 200 oficiais, entre policiais militares e bombeiros - também cita “a grave crise política e financeira” do Estado do Rio e afirma que essa crise tem causado “sérios prejuízos financeiros aos servidores públicos e militares, inativos e pensionistas” e que “tal situação se arrasta há um ano e tem gerado inúmeros protestos contra a administração estadual, com reflexos na segurança pública”. Segundo a entidade, “a possibilidade de ocorrência desses protestos durante os festejos do Réveillon” pode ter “dimensão e alcance incalculáveis”, hipótese “factível (...) pelas ocorrências verificadas anteriormente antes e durante a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016”.

Ao encerrar a carta, a entidade afirma que faz a recomendação baseada “na prevenção e no dever de ofício, axiomas da polícia ostensiva e de preservação da ordem pública”.

Além do prefeito Eduardo Paes (PMDB), a carta também é destinada ao governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), aos comandantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Estado, à população e à imprensa.

“A carta não é contra o governo, é simplesmente para garantir a segurança das pessoas”, afirma o coronel reformado da PM Paulo Ricardo Paul, que integra o conselho fiscal da entidade. “Muitos servidores públicos estão sem salário, em situação de desespero. E pessoas desesperadas tendem a adotar soluções desesperadas. Como a Guarda Municipal e a PM vão impedir que alguém jogue um rojão no meio da multidão?”, questiona Paul. “Tem muita gente insatisfeita. A prefeitura vai gastar cerca de R$ 5 milhões com esse evento, e se emprestasse esse dinheiro ao Estado permitiria o pagamento de muitos servidores que estão sem condições até mesmo para comprar comida”, afirma. “Se o evento for mantido, torcemos para que não haja nenhum tumulto, mas é inegável que essa é a fórmula para dar alguma coisa errada”, conclui o coronel reformado.

A Prefeitura do Rio informou que não vai se pronunciar sobre a recomendação da Aomai.

A festa em Copacabana terá shows musicais a partir das 18 horas de sábado (31), com atrações como Léo Jaime, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, e um show de fogos de artifício com duração de 12 minutos, a partir da meia-noite do dia 31. A Prefeitura gastou cerca de R$ 5 milhões com o evento. Também haverá comemoração organizada pelo município em outros nove locais, entre eles a Barra da Tijuca (zona oeste) e o Parque Madureira (zona norte).

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