Entidades preparam manifestação contra o Pan

Movimento denuncia gasto de bilhões de reais com a compra de equipamentos esportivos

Alexandre Rodrigues, do Estadão

11 Julho 2007 | 21h31

Um grupo que reúne 32 entidades sindicais e de movimentos sociais preparam uma manifestação para a próxima sexta-feira, dia da abertura dos Jogos Pan-Americanos. A concentração dos manifestantes do Ato Nacional de Luta contra o Pan está marcada para as 11h na porta do centro administrativo da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova. O movimento denuncia o gasto de bilhões de reais com a construção de equipamentos esportivos enquanto os mais pobres sofrem com carências como saúde, educação e habitação. O protesto também elegeu como alvo a política de segurança do governo do Estado. Para os manifestantes, o enfrentamento armado do tráfico de drogas em favelas como o Complexo do Alemão põe em risco a segurança dos moradores em nome de uma "limpeza social" para o Pan. "É a criminalização da pobreza", repetiam insistentemente os organizadores numa reunião realizada nesta quarta-feira. No panfleto que será distribuído no ato, há um desenho do mascote dos jogos, o Cauê, empunhando um fuzil ao lado de um caveirão, o carro blindado da PM. O texto acusa o prefeito Cesar Maia de se unir ao governador Sérgio Cabral e ao presidente Lula para fazer do Rio um modelo de reprodução de "massacres". Para o prefeito Cesar Maia, o panfleto "é a prova" de que o movimento é responsável pelas pichações do mascote armado nos muros do Complexo do Maracanã anteontem. "Se a polícia souber, chiii...", ironizou. Segundo Leo Lima, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), um dos organizadores do protesto, a pichação não é orientação do movimento, mas ele admitiu que os vândalos podem ser simpatizantes da causa. Além dos MST, participam da organização do ato representantes da CUT, Conlutas, Movimento Nacional de Luta pela Moradia, a Ong Justiça Global e partidos de esquerda como PSOL, PC do B, e PSTU. Os organizadores esperam reunir pelo menos três mil pessoas em frente à prefeitura. "Não é um movimento contra o esporte. Os atletas são bem-vindos. Não podemos é deixar de criticar o governo que gastou vinte vezes mais no Brasil do que foi gasto em outros países com esses jogos", afirmou Lima, denunciando ainda a remoção de favelados das áreas próximas aos locais de competição. A manifestação não pretende interromper o trânsito no Centro. "É um ato pacífico", disse. "É um besteirol que só confirma serem militantes ultrapassados que não juntam mais do que 300 pessoas: os mesmos de sempre, que têm até firma reconhecida de pesseateiros", desdenhou o prefeito Cesar Maia, para quem é um direito democrático o protesto. "A mobilização deles demonstrará se têm apoio ou se são os militantes profissionais de sempre", afirmou.

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