Enviado da ONU reúne-se com parentes de vítimas da violência

Encontro com as famílias ocorreu em centro social localizado no acesso ao Morro do Alemão

Talita Figueiredo, especial para o Estadão,

10 de novembro de 2007 | 15h38

O relator especial de Direitos Humanos das Nações Unidas para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Philip Alston, que esteve durante a manhã deste sábado, 10, no Morro do Alemão, na zona norte do Rio, para se encontrar com parentes de oito das vítimas de confronto entre policiais e traficantes em 27 de junho, disse ter se surpreendido com "o grau de honestidade" das famílias. "Não é comum ouvir das mães que o filho é envolvido com o crime, como aconteceu hoje", disse ao final do encontro. Segundo o relator, o fato de algumas mães afirmarem que os filhos faziam parte do tráfico, não havia justificativa para matá-los. Para Alston é preocupante que se tenha "a idéia de que se uma pessoa é traficante, matá-la é justificado". Ele afirmou que o procedimento correto da polícia seria a prisão dos criminosos. "Caso não seja possível, e se houver ameaça à vida de alguém, a força pode ser usada, mas sem a necessidade de mortes". Para Alston, "se alguém acha que os problemas das drogas no Rio serão solucionadas com morte é porque não entende o suficiente para lidar com o problema." Por questão de segurança, o relator da ONU não entrou no Morro do Alemão. O encontro com as famílias ocorreu no centro social localizado no acesso à favela. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, comentou de um modo geral a visita do relator ao Brasil, antes de saber das críticas sobre a atuação da polícia no complexo do Alemão. Beltrame disse não esperar um bom resultado do relatório que será produzido por Alston, por ter notado "uma opinião muito pessoal, um despreparo total e ausência da realidade" nas perguntas feitas pelo relator à comissão que o secretário montou para receber a ONU. "Pessoas que têm experiência na Austrália, aonde trabalharam em ação de colonos, trabalharam nas Filipinas, eu acho que infelizmente podem contribuir muito pouco com o Rio de Janeiro", disse.

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