Escuta telefônica revela ameaça de bicheiro a juíza executada no RJ

Na ligação, de 2009, contraventor diz que 'pessoa que bate martelo iria chorar lágrimas de sangue'

Bruno Boghossian e Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

17 Agosto 2011 | 19h19

RIO - Uma escuta telefônica realizada 2009 pela Polícia Federal flagrou uma conversa em que o bicheiro Luiz Anderson Coutinho discute um suposto atentado contra a juíza Patrícia Acioli, executada na semana passada. Na ligação, segundo a PF, o contraventor de São Gonçalo afirma que "uma bomba iria explodir" e que "a pessoa que bate o martelo iria chorar lágrimas de sangue".

Os investigadores identificaram, na interceptação telefônica, uma possível ameaça de agressão à juíza ou a parentes. Na ligação, Coutinho afirma que "a ordem já teria sido dada por ele". O bicheiro demonstrava "grande rancor" em relação à magistrada, que meses antes havia decretado sua prisão preventiva.

Na ocasião, Patrícia relatou ter encaminhado o documento da PF à presidência do Tribunal de Justiça (TJ-RJ). O Ministério Público do Rio informou que a ameaça foi investigada e arquivada em outubro de 2010, pois informações posteriores apontavam "não ter procedência a ameaça relatada".

Em outro documento, datado de 2007, a juíza afirma estar "surpresa" com a redução de sua escolta pessoal, de três para um policial. "Não entendi o tratamento que foi dado ao caso", escreveu a juíza. "Esta magistrada não pediu segurança porque entende que a avaliação sobre a necessidade ou não da medida não lhe cabe, mas se esta for necessária sem dúvida deve ser eficiente."

No mesmo ano, Patrícia reclamou da substituição de um policial de sua escolta, devido à dificuldade de adaptação de suas filhas "em conviver com pessoas armadas no dia a dia". A filha mais nova estaria sob tratamento psicológico.

O Tribunal de Justiça vai formular uma lista dos policiais do 7º Batalhão que respondem a processos na Justiça e encaminhar à secretaria estadual de Segurança. A pasta irá avaliar se transfere esses policiais para outras unidades da PM ou toma outras medidas para tentar impedir reações de vingança.

O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, Nelson Calandra, disse discordar da decisão, que classificou como ineficaz. "Acho que aqueles que estão respondendo a processos graves devem fazê-lo afastados do policiamento de rua. Não é possível que, se a pessoa é acusada de participação em um grupo de extermínio, portar fuzil ou metralhadora e sair para a rua para repetir o mesmo gesto", declarou.

O secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Fernando Marcondes, se encontrou com investigadores da Divisão de Homicídios e relatou que, "em muito menos tempo do que se pode imaginar, o caso será solucionado".

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