Antonio Lacerda/EFE
Antonio Lacerda/EFE

Escutas indicam proximidade entre milicianos e vereador investigado por morte de Marielle

Em conversas telefônicas divulgadas, parlamentar pede ajuda para inaugurar projeto social e suposto miliciano pede reforço da PM

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

13 Maio 2018 | 22h43

RIO - Escutas telefônicas indicam proximidade entre milicianos e o vereador do Rio de Janeiro Marcello Siciliano (PHS), acusado por um policial militar que integrava uma milícia de ser um dos mandantes do assassinato da também vereadora Marielle Franco (PSOL), ocorrido em 14 de março no Rio. O conteúdo de duas conversas telefônicas foi divulgado neste domingo, 13, pelo programa "Fantástico", da TV Globo, que não revelou quem são as pessoas com quem Siciliano conversava.

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Numa das conversas, um suposto miliciano pede ao vereador que acione o 31º Batalhão da PM, que atende o Recreio dos Bandeirantes e outras áreas da zona oeste, depois que "os bandidos lá mataram um amigo nosso". "Você podia dar um toque pro pessoal do 31 pra ficar de olho? (Se) Botar uma blitz ali vai pegar", pede o interlocutor. "Vou mandar botar agora. Na volta passo aí", responde o vereador.

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Em outra conversa telefônica, Siciliano pede ajuda a um suposto miliciano para inaugurar um projeto social em área de milícia: "O garoto ia começar a fazer o projeto lá hoje, aí o rapaz chegou lá e falou 'não, não vai fazer nada aqui não'. Eu posso ir atrás lá da pessoa pra resolver em teu nome?" O interlocutor concorda: "Pode, vou te mandar o telefone dele aqui. Pode ir."

Em nota enviada ao próprio programa da TV Globo, o vereador reafirma que nunca teve envolvimento com milícias e disse que, embora já tenha sido investigado, nunca chegou a ser indiciado. Ele se colocou à disposição da polícia para quaisquer esclarecimentos. Siciliano nega qualquer envolvimento na morte de Marielle e, na semana passada, convocou entrevista coletiva para se pronunciar após a acusação.

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