Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Especialistas questionam queda de homicídios no Rio

Pesquisadores alertam para o aumento dos autos de resistência; número de homicídios dolosos caiu 32,8% em fevereiro deste ano

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 17h57

RIO - Embora o Rio tenha registrado o menor número de homicídios dolosos para o mês de fevereiro desde 1991, segundo dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), especialistas afirmam não acreditar em uma tendência de queda neste tipo de ocorrência criminal e alertam para o aumento dos casos de autos de resistência (homicídios decorrentes de intervenção policial) e de roubos. A quantidade de homicídios dolosos caiu 32,8% no período, passando de 482 casos em fevereiro de 2014 para 324 registros em fevereiro deste ano. 

“Havia uma redução consistente dos casos desde 2009, que voltaram a subir em 2013 e 2014. É cedo para afirmar se essa queda é uma tendência", disse a cientista social Sílvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes (Cesec).


Para o sociólogo Michel Misse, do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU) da UFRJ, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) exercem forte influência no cenário de violência na Região Metropolitana. “Não só nas favelas que receberam UPPs, mas nas demais favelas por efeito de demonstração. A redução dos homicídios deve se estabilizar, mas os dados mensais são insuficientes para afirmar o que vai ocorrer ao longo do ano.”

O coronel Robson Rodrigues, chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, atribui a redução dos homicídios não só às UPPs, mas também à criação de delegacias de Homicídios em Niterói e na Baixada Fluminense. “O que mais impactou para a diminuição foi o interior do Estado e a Baixada. Áreas que tinham histórico de elevada taxa de homicídios dolosos e agora apresentam queda significativa.”

Sílvia Ramos destaca o crescimento em 48,2% dos registros de autos de resistências entre fevereiro de 2014 e o mesmo mês deste ano, que passaram de 56 para 83 casos no período. “É preocupante porque havia o compromisso com uma nova política de segurança pública, com metas para a redução da letalidade da polícia e fim ao discurso de guerra ao crime. Os dados mostram que ainda não há resultados práticos e historicamente as mortes provocadas pela polícia lideram as estatísticas de homicídios", afirmou ela.

“Isso está relacionado ao grande número de armas com criminosos e sua disposição para o confronto. Só em janeiro e fevereiro deste ano foram retirados das mãos de criminosos 70 fuzis. No mesmo período do ano passado foram 44”, disse o coronel Rodrigues.

O número de roubos de rua (a pedestres, em transportes coletivos e de celulares) em fevereiro de 2015, 7.889 casos, foi o maior desde 2003, ano a partir do qual há dados no ISP. Os registros de roubos de celulares aumentaram 98,3% entre os meses de fevereiro de 2014 e 2015.

“Pode ser uma tendência de aumento da violência nas ruas ou o aumento da quantidade de vítimas que fazem o registro da ocorrência”, disse João Trajano, do  Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiroviolência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.