Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Esquema de propina de traficantes a PMs foi descoberto em delação premiada

96 policiais de São Gonçalo foram denunciados na maior operação contra a corrupção policial da história do Rio; metade já foi presa

Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo, e Lucas Gayoso, especial para o Estado

29 de junho de 2017 | 13h41

RIO - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou que a Operação Calabar, que levou à denúncia de 96 policiais militares, foi iniciada a partir de delação premiada de um criminoso. O homem atuava como espécie de gerente da propina do tráfico para os agentes e foi preso com três armas e dinheiro, no ano passado. De acordo com o governador, o esquema foi investigado ao longo de sete meses. 

"A gente nunca compactuou com erro de nenhum funcionário. Essa operação está sendo feita há sete meses e toda área de segurança está envolvida para cortar na carne. Estamos pagando primeiro a área de segurança pública, com toda dificuldade. Foi a área que eu briguei com o Tesouro Nacional para manter os  aumentos. É muito triste a pessoa ter um distintivo e está matando um colega de profissão, dar apoio a um traficante que mata o colega dele de farda", afirmou o governador. "A gente apura toda denúncia que chega para a gente e essa foi uma delação."

Essa é considerada a maior operação contra a corrupção policial já feita no Estado do Rio. Ao todo, foram expedidos 96 mandados de prisão contra policiais militares que participavam de um esquema de propina para o tráfico em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, onde atua o 7° Batalhão da PM. Também foi ordenada a prisão de 70 traficantes por corrupção ativa.

Milhão

Por volta do meio-dia, os agentes já haviam cumprido cerca da metade dos mandados de prisão contra os policiais. De acordo com as investigações, os acusados recebiam cerca de R$ 1 milhão por mês para proteger e deixar traficantes atuarem livremente nas comunidades. Eles ainda revendiam armas e drogas apreendidas para uma facção criminosa. 

Todos os acusados são praças e foram lotados no Batalhão de São Gonçalo entre 2014 e 2016.

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