Estado tem que reparar famílias na Providência, diz Lula

'O que aconteceu foi uma coisa abominável, não está na cabeça de pessoa normal', afirma presidente

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

18 de junho de 2008 | 13h18

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a condenar nesta quarta-feira, 18, a participação de militares na morte de três jovens, no último fim de semana, no Rio de Janeiro e disse que o governo vai trabalhar, agora, na reparação às famílias das vítimas. "Nós agora precisamos trabalhar para fazer justiça com as famílias. O estado tem que fazer reparação", afirmou, referindo-se ao projeto Cimento Social, do senador Marcelo Crivella (PRB) e candidato à Prefeitura do Rio, em parceria com o Ministério das Cidades e o Exército. Os três jovens foram abordados por militares no Morro da Providência, no fim de semana, e seus corpos foram encontrados no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.   Veja também: Jobim pede calma ao Exército para superar crise no Rio Forças Armadas não estão aptas a combater a violência, diz Lula Lula se diz indignado com mortes no Morro da Mineira Exército pede desculpas a mães de jovens mortos no Rio Delegado do Rio pode pedir quebra de sigilo de militares O Exército está preparado para atuar na segurança  pública?     Onze militares estão detidos por ligação com as mortes e parte deles admitiu à polícia ter levado os jovens às mãos de traficantes do Morro da Mineira, de uma facção rival à que controla o Morro da Providência. Segundo um oficial, houve desacato à autoridade por parte dos jovens, que foram deixados na outra favela para um "corretivo". "Não é possível que três jovens inocentes sejam mortos dessa forma", disse Lula, após cerimônia de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil.   O presidente disse que as obras no Morro da Providência vão continuar, porque elas darão condições de melhoria à população. Segundo o presidente, se necessário, o Exército sairá do Morro da Providência. "Mas isso vamos discutir com calma, para não tomar nenhuma atitude precipitada. Não é por causa de um erro gravíssimo, abominável que a gente tem de tomar medidas precipitadas", afirmou.   Lula afirmou ainda que a retirada dos militares da Providência, como vem sendo reivindicada pelo moradores, seria avaliada. "Não é por causa de um erro gravíssimo que a gente vai ter que tomar medidas precipitadas", afirmou o presidente, acrescentando que vai conversar com os ministros da Defesa, Nelson Jobim, que esteve no Rio, e com o das Cidades, Marcio Fortes. O presidente disse que também vai procurar falar com o governador Sérgio Cabral (PMDB), que estava na Alemanha.   (Colaborou Reuters)

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