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'Estamos pagando injustamente uma conta que não é apenas nossa', diz comandante-geral da PM do Rio

Neste sábado, Estado atingiu o número de 100 policiais assassinados em 2017; a cada 57 horas

Constança Rezende e Thaise Constancio, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2017 | 13h43

RIO - O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wolney Dias, escreveu uma nota falando sobre a morte de cem policiais militares no estado desde o começo do ano. Neste sábado, o 2º sargento Fábio José Calvante e Sá foi assassinado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

A nota foi intitulada "Não somos números. Somos cidadãos e heróis", em referência a uma mensagem enviada anteriormente à tropa.

"Para a Polícia Militar é um golpe a mais em nossas fileiras, parte de uma estatística inaceitável com a qual temos convivido dramaticamente há mais de duas décadas, mas que nem sempre ganha a mesma repercussão. Reescrevo hoje o mesmo desabafo, recheado de tristeza e revolta. Tristeza pela perda irreparável de cada companheiro que se vai, deixando para trás sonhos e o sofrimento da família e amigos. Revolta, pela omissão de grande parte da sociedade que se nega a discutir com profundidade um tema de tamanha relevância", afirma.

O comandante-geral destaca o crescimento da violência no Brasil, em especial no Rio, onde facções disputam territórios. 

"O policial é vítima da violência com uma desvantagem adicional: ao ser identificado como agente de segurança pública num assalto ou qualquer situação de confronto será executado sumariamente. A violência cresce em todo país, por múltiplos fatores - econômicos, políticos, sociais e éticos. O Rio de Janeiro não só faz parte desse contexto nacional como sofre com alguns agravantes particulares. Em lugar nenhum do país há guerra tão acentuada e permanente entre quadrilhas de facções rivais de traficantes e de milicianos por domínio de território. Em lugar nenhum do país há tantas armas nas mãos dos criminosos", diz a nota.

"Cabe à Polícia Militar enfrentar os efeitos dos indutores de violência. Somos a última barreira entre a ordem e o caos. Estamos fazendo o possível e o impossível para ampliar ao máximo o policiamento ostensivo. E pagando injustamente uma conta que não é apenas nossa. É de todos", finaliza o coronel Wolney. 

O caso

O sargento Cavalcante estava de folga e foi visitar os pais no Largo do Guedes, onde moram e têm uma loja. De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Militar, o sargento Cavalcante foi atingido com um tiro na cabeça. No entanto, testemunhas afirmam que ele foi vítima de uma série de disparos. Os assaltantes também teriam levado a arma, a carteira e objetos pessoais do policial.

Ele foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Nilo Peçanha, em Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense, mas não resistiu aos ferimentos. Aos 39 anos, o sargento estava há mais de 15 anos na corporação. Ele era lotado no 34º BPM, em Magé, cidade da Baixada Fluminense onde morava com a esposa e o filho.

O PM foi candidato a vereador em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, nas eleições de 2016. Concorrendo pelo PR, Fabinho ele obteve 1.090 votos (0,43%) na cidade.

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