Matheus Passarelli Simões Vieira
Matheus Passarelli Simões Vieira

Estudante da Uerj desaparecido foi executado, diz polícia

Matheus Passarelli Simões Vieira, de 21 anos, foi assassinado em uma favela da zona norte do Rio; corpo da vítima teria sido queimado por traficantes

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2018 | 22h53

RIO - O estudante da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Matheus Passarelli Simões Vieira, de 21 anos, desaparecido desde o dia 29 de abril, foi assassinado numa favela da zona norte do Rio de Janeiro, confirmou a Polícia Civil nesta segunda-feira, 7. O corpo dele teria sido queimado por traficantes de drogas. O rapaz havia saído sozinho de uma festa no bairro do Encantado, na zona norte, e não deu mais notícias.

Segundo Gabriel Passarelli Simões Vieira, irmão de Matheus, o rapaz foi procurado essa semana por amigos, que espalharam cartazes na região do desaparecimento e criaram uma campanha nas redes sociais em busca de informações, com a hashtag “Cadê Matheus Passarelli”. Ele era aluno de Artes Visuais da Uerj e também estudava na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Identificava-se tanto com o gênero masculino quanto com o feminino, e era ora chamado de Matheus, ora de Matheusa. Existe a suspeita de que o crime foi motivado por LGBTfobia.

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A Delegacia de Descoberta de Paradeiros, que investiga o caso, informou que Matheus foi assassinado na própria madrugada do dia 29, ao sair de uma festa no Morro do 18. O autor do crime ainda não foi identificado, tampouco a motivação. O corpo foi localizado. Mas a polícia não informou se estava carbonizado. “Não há outras informações passíveis de divulgação sem que as diligências sejam prejudicadas”, divulgou a polícia.

A família é de Rio Bonito, no interior do Rio. Matheus e Gabriel se mudaram para a capital para estudar. Gabriel cursa Terapia Ocupacional na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A Pró-Reitoria de Políticas Estudantis da UFRJ havia manifestado sua atenção ao caso na semana passada, afirmando, numa nota oficial, que “por sua identidade LGBTQ, população comumente exposta a violências, o desaparecimento de Matheusa, como também é conhecida(o), inspira-nos reforçada preocupação.” 

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O universitário se identificava tanto com o gênero masculino quanto com o feminino, e era ora chamado de Matheus, ora de Matheusa. Foi levantada a suspeita de que o assassinato tenha sido motivado por homofobia.

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O irmão escreveu um texto emocionado no Facebook, publicado no domingo, 6, em que diz que Matheus foi a pessoa que mais amou em sua vida. “Sobre seu corpo, também segundo informações colhidas pela DDPA, foi queimado, e poucas são as possibilidades de encontrarmos alguma materialidade, além das milhares que a Matheusa deixou em vida, e que muito servirão para que possamos ressignificar a realidade brutal que estamos vivendo”, diz o texto, que menciona a produção artística do estudante.

“Infelizmente, as últimas informações que chegaram até nós e até a instituição pública que está desenvolvendo o processo de investigação demonstram diferentes faces da crueldade a qual estamos submetidos”, lamentou. “E, ‘se tiver que existir uma dicotomia entre o amor e ódio, eu escolho o amor’, nesse momento, continuo escolhendo o amor, pois sei que como essa frase, minha irmã escreve isso nos corpos de todos que já foram e ainda serão atravessas pela existência da MATHEUSA”.

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