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Estudante da UFRJ é encontrado morto no câmpus do Fundão

Diego Vieira Machado, de 30 anos, cursava Letras e morava no alojamento da universidade; amigos denunciam homofobia

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2016 | 15h29

RIO - O corpo do estudante Diego Vieira Machado, de 30 anos, foi encontrado na noite deste sábado, 2, em uma das vias do câmpus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, na zona norte. Diego, que estudava Letras e morava no alojamento da instituição, tinha marcas de espancamento.

O corpo estava às margens da Baía de Guanabara e foi achado por volta das 18 horas. Ele estava sem roupas e sem documentos. Policiais da Delegacia de Homicídio da capital fizeram a perícia no local.

A família do jovem é do Pará e foi avisada pela reitoria da UFRJ, que lamentou a morte do jovem em nota oficial. "A reitoria se junta aos amigos e familiares do estudante neste momento de dor, e informa que acompanhará de perto as investigações sobre o caso junto às autoridades policiais", diz o texto.

Nas redes sociais, alunos da UFRJ iniciaram uma campanha por justiça. No perfil UFRJ Livre, os estudantes cobraram mais segurança no câmpus.

"Nosso movimento, junto com toda a comunidade acadêmica, está de luto e indignado com este episódio lamentável e, independente do real motivo do crime, exige o imediato esclarecimento do caso, consequentemente, prisão do responsável ou dos envolvidos; e também exigimos que haja mais segurança no câmpus, com iluminação e patrulhamento."

Homofobia. O site Tem Local?, plataforma de mapeamento de crimes homofóbicos, também se manifestou a respeito da morte de Diego. "Diego, negro, gay, nortista, morador do alojamento, assassinado com requintes de crueldade na maior universidade do País, a UFRJ, no câmpus da Escola de Belas Artes, deu adeus a todos os seus sonhos de maneira precoce, compulsória, violenta e desumana", disse o texto.

Os estudantes querem levar o tema da morte do estudante à reunião do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ, marcada para às 9 horas desta segunda-feira, 4.

A professora de Letras Georgina Martins também criticou a falta de segurança no câmpus. "Acordei hoje com meu filho chorando por conta dessa notícia horrível: um aluno da UFRJ, morador do alojamento, foi brutalmente assassinado dentro do câmpus por causa da sua orientação sexual. Ele foi morto à pauladas, ontem, dentro da Cidade Universitária, onde trabalhamos, estudamos e várias pessoas moram. Estou triste e com muito medo. Meu filho é gay, seus amigos são gays e circulam como deve ser, pelo câmpus do Fundão, todos os dias", escreveu. 

"Dou aulas à noite, e assim como meus alunos e colegas de profissão, estamos à deriva pois não há transporte suficiente, não há iluminação, não há seguranças circulando pelo câmpus, não há ninguém que tome alguma providência. Desde sempre é assim, já denunciamos, já chamamos a imprensa e nada foi feito. Continuamos, à noite, abandonados no Fundão, torcendo para que o nosso ônibus chegue logo e nos tire daquele lugar escuro e deserto, como é o Fundão todas as noites e todos os fins de semana. Temos de liberar nossos alunos às 21h30, alguns muito antes disso, às 20h50, porque seus ônibus só circulam de hora em hora e eles moram longe, não moram na zona sul e não têm carro."

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