Reprodução/TikTok
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Exame encontra esferas escuras no organismo de jovem que pode ter sido envenenado pela madrasta

Adolescente passou mal após comer feijão servido por Cíntia Mariano, no dia 15, mas sobreviveu; suspeita está presa e alega inocência

Fabio Grellet, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2022 | 21h54
Atualizado 03 de junho de 2022 | 14h54

RIO - Um exame feito pelo Instituto Médico-Legal (IML) do Rio em material gástrico do estudante Bruno Carvalho Cabral, de 16 anos, constatou a presença de quatro "grânulos esféricos" de cor que pode variar entre “azul escuro e preto”. A descrição é compatível com um veneno usado para combater ratos, conhecido como chumbinho. A Polícia Civil investiga se ele foi envenenado pela madrasta, Cintia Mariano Dias Cabral. Ela está presa provisoriamente, sob suspeita de ter envenenado a irmã do jovem, Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos.

Depois de passar quatro dias internado, Bruno conseguiu se recuperar. Ele está fazendo exames para ter certeza de que seu organismo voltou a funcionar normalmente. A defesa de Cíntia nega que a cliente tenham cometido crime, mas não quis falar sobre o laudo nesta quinta, 2.

O exame feito pelo IML não encontrou vestígios de veneno. Mas, segundo os peritos da Polícia Civil, isso seria improvável, porque no organismo a substância se degrada rapidamente dentro dos grânulos, que servem para armazená-la. A presença dos grânulos e os sintomas apresentados pela vítima são indícios de que Bruno foi envenenado com chumbinho, avalia a perícia.

Em 15 de maio, Bruno almoçou na casa que seu pai, Adeílson Cabral, dividia com Cintia. O rapaz passou mal após a refeição. Ele reclamou do gosto do feijão e identificou resquícios de uma substância azul. O adolescente se sentiu zonzo, ficou molhado de suor e logo não conseguia mais falar, enrolando a língua. Foi internado no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo (zona oeste do Rio), e conseguiu se recuperar da intoxicação. Teve alta no dia 19.

Cintia foi presa no dia 20. Inicialmente ela afirmou à Polícia Civil que a substância azul detectada no feijão era um tempero pronto para alimentos. Depois, em depoimento oficial e acompanhado por advogado, manteve-se em silêncio.

Fernanda Carvalho Cabral morreu em março, após apresentar sintomas semelhantes aos do irmão e ser internada no mesmo hospital. Na ocasião, no entanto, ainda não havia suspeita de envenenamento, e não houve tratamento específico para isso. O corpo de Fernanda foi exumado em 26 de maio. Estão sendo feitos exames para tentar identificar sinais de envenenamento.

Defesa questiona perícia

Para os advogados Carlos Augusto Santos e Raphael Souza, que defendem Cintia, a perícia foi parcial. 

“No exame do suco gástrico do senhor Bruno, a perita dá uma sugestão. Mas perito não pode dar sugestão, tem que ser técnico. Por que ela entende que esses grânulos eram de chumbinho?”, questiona Santos. “Nas perguntas técnicas, ela afirma que o exame deu negativo.”

Os advogados classificam o caso como “o maior erro judiciário do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil”. “A Cintia é a maior interessada na conclusão dessa investigação, mas que ela ocorra de forma técnica e imparcial”, afirmam. Para eles, a prisão da madrasta foi precipitada e ilegal, e a polícia está fazendo “espetacularização” da investigação.

Consultada pela reportagem, a Polícia Civil não havia se manifestado sobre essas críticas até a publicação deste texto.

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