WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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'Excelente solução', diz general sobre possibilidade de militares da reserva ingressarem na PM

Secretário do gabinete de intervenção federal, o general Mauro Sinott falou sobre as metas traçadas no plano estratégico, que foi finalizado na semana passada e divulgado nesta quinta-feira pelo Estado

Entrevista com

General Mauro Sinott, secretário de intervenção federal

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Secretário do gabinete de intervenção federal, o general Mauro Sinott falou sobre as metas traçadas no plano estratégico, que foi finalizado na semana passada e divulgado nesta quinta-feira, 7, pelo Estado. Para ele, a possibilidade de contratação temporária de militares da reserva para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros seria uma "excelente solução" visando a aumentar os efetivos das corporações. Ele diz que os efeitos da intervenção na segurança do Rio já estão sendo sentidos, apesar de os números não confirmarem completamente a sua tese, e complementa: "até 31 de dezembro (data que encerra a vigência da intervenção), teremos melhora sensível". Leia a seguir a entrevista: 

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Como militares da reserva na polícia podem melhorar a corporação e como se dará essa defesa junto ao Congresso Nacional?

A lei (que permite o serviço de militares da reserva no funcionalismo público) surgiu na época do ministro Jobim, surgiu a opção do serviço civil. Ela restringiu algumas áreas para esse tipo de serviço, e uma delas é a segurança pública. A PEC visa a corrigir esse detalhe para que possa haver absorção de profissionais temporários na atividade policial. Qual o impacto? É o aumento de efetivo que as polícias podem ter para o trabalho de policiamento ostensivo sem impactar a situação previdenciária do Estado. Tivemos um exemplo formidável em Goiânia, funcionou por um período de um ano, capacitando 500 policiais temporários, recompletou todos os quartéis do interior do Estado; política excelente do governo de Goiás. Depois, por ações na Justiça, foram obrigados a dispensar todos e perderam o efetivo. Nós acreditamos que a regularização do serviço temporário para a atividade policial é uma excelente solução para incremento de efetivo das polícias. Pretendemos trabalhar isso por meio de gestões junto à Casa Civil para que haja uma articulação política e isso seja aprovado. Isso é um processo legislativo. O Estado terá a possibilidade para adotar esse processo e dar resposta melhor para as suas populações. 

Qual a importância de eventos cívicos, como previsto nas metas estabelecidas? 

Um dos focos de trabalho é a valorização do ethos militar. O servidor público policial coloca a vida dele à disposição para defesa da sociedade. Quando há esse valor maior em defesa coletividade, precisamos trabalhar a questão dos valores que fazem com que ele tenha esse desprendimento. Entendemos que esses valores são centrais e são trabalhados por meio do culto. Este ano, no dia 21 de abril, a PM desfilou e foi uma cerimônia espetacular com o prestígio da população. E isso para o funcionário militar, esse reconhecimento é muito importante. O ser humano precisa ver o resultado do seu trabalho, ter reconhecimento é alimento para a dedicação profissional. 

Qual a importância de possuir um plano estratégico?

O plano contempla por meio de suas metas um dos objetivos principais, que é a recuperação da capacidade operacional dos órgãos. Entendemos que a intervenção não pode ser resumir a comprar material. O plano visualiza alguns fatos portadores de futuro, como quando tratamos de planos de carreira, sobre trabalhos na área de ensino, de revisão curricular. São alguns objetivos nossos que estão para mais além de 31 de dezembro, mas que vão produzir ao longo do tempo melhorias significativas para as instituições. O plano tem essa ambição também. Foi desenhado a partir de um diagnóstico macro da situação dos órgãos de segurança pública e levando em conta esse espaço temporal que temos, de dez meses, que o plano tem de traduzir ações que eu possa realizar até 31 de dezembro. O espaço temporal foi levado em conta para elencar, dentro dos objetivos estratégicos que nós buscamos atingir, metas que possa realizar até 31 de dezembro e que contribuam para a melhoria significativa do desempenho dos órgãos de segurança pública. 

Enquanto o plano ia sendo elaborado, parte das ações já estavam em execução, não é isso?

Ao mesmo tempo em que discutimos a elaboração e dávamos corpo ao plano, já íamos executando uma série de atividades porque o tempo é curto. Elencamos em ações emergenciais e ações estruturantes. As ações emergenciais visavam àqueles problemas que precisávamos atacar de imediato porque ele refletia na queda dos índices de criminalidade, na percepção de segurança pública que as pessoas tem. Era uma ação emergencial. A ação estruturante é de médio e longo prazo e visa a recuperar a capacidade operacional do órgão e mantê-lo num nível de atuação razoável para o cumprimento da missão constitucional. Existem metas que vão produzir efeitos de médio a longo prazo. 

O que a população do Rio pode esperar em 31 de dezembro em relação à segurança pública?

Já temos reflexos muito positivos nos índices. As áreas onde foram elencadas as ações emergenciais, indicadas pela Secretaria de Segurança que apresentam os maiores problemas, com aqueles crimes que mais impactam a sensação da população - letalidade violenta, roubo de carga, roubo de veículo -, esses locais são alvos dessas ações emergenciais, que são ações de segurança comunitária em que reforçamos o policiamento com elementos de força armada e ao mesmo tempo trabalhamos no batalhão responsável pela área com capacitação de efetivo e recompletamento, troca de armamentos e munições, aquisição de uniformes e viaturas. Passados em média dois meses, retiramos esse reforço e entregamos a área novamente ao batalhão. Durante esse tempo - esse trabalho é sinérgico, interagências -, a Polícia Civil cumpre mandados, dado atenção diferenciada para aquela área. A partir daí, o batalhão reassume a sua área para dar prosseguimento a esse trabalho. O senso comum não aceita que só se tenha resultados a partir de 31 de dezembro. 

Apesar dos impactos nas áreas que sofreram ações mais diretas, os números totais do Estado continuam a mostrar alta em alguns crimes, como homicídios e mortes praticadas por policiais. Como explicar isso?

O trabalho da intervenção tende a produzir números cada vez melhores. Não teremos índice zero de eventos relacionados à segurança pública. Sempre vai ter um problema da criminalidade. A tendência é de queda. A análise inicial é ligeiramente tendenciosa em função subnotificação nos primeiros meses do ano passado em função de uma paralisação parcial da Polícia Civil. Temos quedas bastante significativas em relação a roubo de rua, carga e veículos isso teve uma queda bastante acentuada. O Rio de Janeiro é o 23.º Estado em relação a índices de criminalidade, não é o pior Estado do País. Acreditamos que a tendência é melhorar por conta desse trabalho. Até o fim do ano, teremos melhora sensível na segurança.

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