Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Instalação de gás provocou explosão em prédio em São Conrado

Principal hipótese é que o próprio morador do apartamento 1001, o alemão Markus Müller tenha instalado uma peça de forma indevida

O Estado de S. Paulo

27 Maio 2015 | 11h48

Atualizada às 21h20

RIO - A explosão que destruiu no dia 18 parcialmente quatro apartamentos e provocou danos nos outros 72 do Edifício Canoas, em São Conrado, zona sul do Rio, foi causada por erro na instalação de uma peça da rede de gás de cozinha do apartamento 1001. A principal hipótese é de que o reparo tenha sido feito pelo morador, o alemão Markus Muller, de 51 anos, hospitalizado em estado grave. 

Os investigadores descartaram as hipóteses de tentativas de suicídio ou de homicídio. Imagens da câmera de segurança de um elevador mostram Muller, no dia anterior à explosão, com duas peças semelhantes ao rabicho mal instalado.

Segundo peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (Icce), da Polícia Civil, o objeto, usado para ligar a tubulação a aparelhos domésticos, geralmente fogões, era novo. Uma fita colocada em sua base, que deveria estar danificada com o movimento de acoplagem à tubulação, estava praticamente intacta, conforme a perícia. 

“A gente constatou que ela (a peça) foi mal colocada”, disse o diretor do Icce, Sérgio William, acrescentando que a perícia não constatou indício da presença de uma segunda pessoa no apartamento – ou seja, Müller estava sozinho. Os cortes espalhados pelo corpo do alemão devem ser provenientes de estilhaços em vez de facadas, como chegou a ser investigado.

Segundo William, com o impacto da explosão, o rabicho mal colocado foi “cuspido” para fora do apartamento. A peça caiu no playground do edifício. A sobreposição dos azulejos da cozinha, após sucessivas reformas, pode ter dificultado a fixação da peça, disse o diretor.

O laudo da perícia ainda não está pronto. Deve levar 30 dias, contados da data do acidente. Uma informação ainda indeterminada é a quantidade de gás que vazou. Amanhã, peritos da Polícia Civil e técnicos da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG) planejam remontar as condições de pressão da tubulação para descobrir o tempo de vazamento e a quantidade de gás que causou a explosão. Será feita simulação em local ainda indeterminado.

Sem conspiração. De acordo com peritos, o vazamento, possivelmente, foi iniciado na noite anterior à explosão, que deve ter sido desencadeada quando o alemão acordou e acendeu a luz. “Desmontou uma série de teorias da conspiração”, disse o síndico do prédio, Jorge Alexandre de Oliveira.

O síndico não falou em um possível processo dos moradores contra o alemão, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Pedro Segundo, em Campo Grande (zona oeste), com 50% do corpo queimado. De acordo com Oliveira, as conclusões da Polícia Civil condizem com o que acreditavam os moradores.

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