Fábio Motta/Esyadão
Fábio Motta/Esyadão

Faixas são espalhadas com recado da 'nova administração' na Rocinha

Cartazes anunciam a queda do preço do botijão de gás para R$ 75 na comunidade, cujo controle está em disputa por grupos de traficantes rivais

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2017 | 20h37

RIO - No dia seguinte à saída de agentes das Forças Armadas da Rocinha, na zona sul do Rio, faixas foram espalhadas pela favela com um recado da "nova administração". 

Elas anunciam a queda do preço do botijão de gás para R$ 75 na comunidade, cujo controle está em disputa por grupos de traficantes rivais. 

Tudo indica que os cartazes são obra do atual chefe do tráfico no morro, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que segue foragido. Isso porque o texto culpa Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, antecessor de Rogério no comando da Rocinha, pela cobrança de preços abusivos em itens como gás, água e carvão. "A ordem era dada pelo Nem", afirmam as faixas.

Preso desde novembro de 2011, Nem teria dado ordens de dentro da Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, para que aliados retomassem o controle do tráfico na região. A medida deu início ao recente conflito armado na comunidade. Logo após assumir o controle da venda de drogas na Rocinha, Rogério 157 rompeu laços com o antigo chefe e instaurou um sistema de milícia na favela. 

"A nova administração nunca se envolveu nesses abusos, pois não concordava com as taxas cobradas", diz o texto. As faixas trazem ainda as frases "acabou o esculacho", "Jesus é o dono do lugar" e "paz na Rocinha". Elas foram recolhidas e levadas para a 11ª DP (Rocinha), que vai investigar a ocorrência. 

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