CARLOS VALIM/FOLHA DO LITORAL NORTE
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'Faltou freio', disse motorista antes do acidente em Paraty

Polícia ouve passageiros do ônibus para investigar causas da tragédia; 15 pessoas morreram e ao menos outras 49 estão feridas

Fernanda Nunes; Fábio Grellet; Juliana Dal Piva, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2015 | 14h13

RIO - Passageiros do ônibus que tombou nesse domingo, 6, em Paraty contaram nesta segunda-feira, 7, aos investigadores do caso que minutos antes do acidente o motorista, Marcel Magalhães Silva, de 50 anos, disse que o ônibus estava com problema nos freios.  Segundo o inspetor Santos da Delegacia de Polícia de Paraty, o motorista teria gritado “faltou freio” pouco antes do veículo tombar. As causas da tragédia estão sendo investigadas pela 167ª Delegacia de Polícia, em Paraty, que já tomou depoimento dos sobreviventes ao longo do dia.

Foi realizada nesse domingo a perícia no local e na manhã desta segunda o exame do ônibus. A polícia diz que ainda é necessário aguardar o laudo pericial para confirmar uma possível falha nos freios. A principal suspeita é de que o ônibus tenha sofrido uma falha mecânica.  Além disso, a polícia também investiga suspeita de superlotação.
 
Há dificuldade para confirmar o número de vítimas. Apesar do Corpo de Bombeiros informar que atendeu 64 vítimas, das quais 14 fatais, a Secretaria Municipal de Saúde de Paraty diz que 67 pessoas deram entrada com vida no Hospital Municipal São Pedro de Alcântara, de Paraty, na tarde desse domingo. Ao todo, 15 pessoas morreram no acidente, 14 no local da queda e uma hospital. 
 
Identificação. As duas primeiras vítimas da tragédia foram identificadas na manhã desta segunda. Foram reconhecidas pelas famílias Juliana Rocha Medeiros dos Santos, 26 anos, e Thalita Amâncio, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no centro cirúrgico. O corpo dela segue para o Instituto Médico Legal de Angra dos Reis, onde estão os outros corpos das vítimas do acidente. Cinco pessoas seguem em estado grave nos hospitais da região.  A identificação do restante dos mortos é outro problema porque a maioria dos passageiros não portava documentos.
 
Entre os passageiros, a maioria era de turistas que aproveitavam o feriado prolongado. Entre as vítimas, ao menos seis eram paulistas – inclusive Juliana Rocha Medeiros dos Santos. O ônibus fazia o trajeto entre a rodoviária, no centro de Paraty, e a praia de Trindade, a cerca de 30 km de distância.  O ônibus partiu do centro por volta das 11 horas. O acidente ocorreu quando o veículo passava por um trecho estreito e sinuoso do Morro do Deus Me Livre, na estradinha que liga Trindade à rodovia Rio-Santos.
 
O motorista sofreu traumatismo craniano e está internado, mas, segundo a empresa de ônibus, não corre risco de morte. A cobradora Maria Marta também sobreviveu e está estável e segue internada no hospital de Paraty.
 
Em nota, a Viação Colitur lamentou o desastre e informou que “está apurando as causas do acidente” e “prestando todo o apoio às vítimas e aos familiares”. Segundo José de Jesus, coordenador de pátio da empresa, “a estrada é muito perigosa”. “O ônibus só roda em primeira marcha”, acrescentou.
 
De acordo com o prefeito de Paraty, Carlos José Gama de Miranda (PT), a estrada foi asfaltada há 12 anos e está em bom estado, embora seja íngreme e bastante sinuosa. A prefeitura cancelou um show musical que ocorreria ontem como parte da festa em homenagem à Nossa Senhora dos Remédios, padroeira de Paraty.
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