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Família é encontrada morta em condomínio de luxo na Barra da Tijuca

Homem teria matado a mulher e se jogado de apartamento com os dois filhos; Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga o caso

Constança Rezende e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2016 | 10h14
Atualizado 29 de agosto de 2016 | 20h59

RIO - Um casal e dois filhos pequenos foram encontrados mortos na manhã desta segunda-feira, 29, em um condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. A principal suspeita da polícia é que o engenheiro e empresário Nabor Coutinho de Oliveira Júnior, de 43 anos, suicidou-se após matar a mulher, Lais Khouri, de 48, e os filhos Henrique, de 10, e Arthur Khouri de Oliveira, de 6.

Oliveira Júnior teria assassinado a mulher com facadas no pescoço. Segundo policiais militares do 31.º Batalhão (Barra da Tijuca), depois do primeiro crime, ele desferiu marteladas nos filhos e os atirou da varanda do apartamento, no 18.º andar. Em seguida, se jogou. Os três morreram no playground do Edifício Lagoa Azul. O corpo de Lais estava na cama do casal.

No apartamento, os policiais encontraram uma carta, supostamente escrita por Oliveira Júnior. Nela, são relatados problemas profissionais. “Sinto um desgaste profundo por ter falhado com tanta força, por deixar todos na mão. Mas melhor acabar com tudo logo e evitar o sofrimento de todos. E, nos últimos dias, passei a ser menos envolvido ou copiado nos e-mails dos projetos que estão rolando. Pode ser cisma minha, mas parece que é um sinal de que não me querem mais lá”, escreveu.

De acordo com a carta, manuscrita com caneta azul e sem assinatura, a família estava sem cobertura de plano de saúde. O autor fala em problemas médicos que afetam a mulher e o caçula, mas não dá detalhes. “Ainda não conseguimos contratar um novo plano de saúde porque estava aguardando a criação do CNPJ. Agora que saiu, está com o Bradesco para avaliar. Com o histórico médico da Lais e do Arthur, será que aprovam? Será que não vai ficar super caro?”

Investigação. Titular da Divisão de Homicídios, o delegado Fábio Cardoso disse que pedirá uma perícia grafotécnica na carta, a fim de atestar a autoria do texto. “Estamos trabalhando com todas as hipóteses. Já apuramos que Oliveira não tinha nenhum antecedente criminal, e os vizinhos relataram que ele era uma pessoa tranquila. Também não fazia uso de drogas ilícitas”, afirmou Cardoso.

Ex-funcionário da empresa de telefonia TIM, Oliveira havia se demitido em julho. Ele era gerente de marketing sênior de Serviços Inovadores da empresa, onde trabalhou por 18 anos. 

“É com profundo pesar que todos os colaboradores da TIM Brasil receberam a trágica notícia da morte do ex-funcionário Nabor Coutinho e sua família. Nabor era um profissional respeitado e querido por toda equipe e havia se desligado voluntariamente da companhia no último mês de julho, depois de muitos anos de colaboração, para se dedicar a um novo desafio em sua carreira. A TIM está solidária aos familiares e amigos”, divulgou a empresa.

Oliveira Júnior deixara a telefônica para se dedicar a um negócio próprio que, segundo a polícia, não foi bem sucedido. Cardoso disse que as contas de aluguel e condomínio do apartamento onde a família morava estavam em dia. 

Segundo o porteiro do Edifício Lagoa Azul Wilton Santos, o homem era aparentemente pacífico. “Convivi muito com a família. Ele sempre me cumprimentava, mas ultimamente não sorria mais. Parecia estar preocupado. Mas nunca vi a família brigando.” 

Médicos veem distúrbios em comportamento

O engenheiro e empresário Nabor Coutinho Oliveira Junior possivelmente vivia um quadro de depressão, na análise do psiquiatra Jorge Jaber. O psicanalista Luiz Aberto Py disse acreditar que Oliveira Junior agiu motivado por vaidade, autoritarismo e arrogância, por tomar para si o direito de selar o destino da mulher e dos dois filhos.

“Eu acredito que deve ter havido um estopim. Foi uma atitude de extremo egoísmo. Em vez de procurar soluções práticas, ele optou por uma atitude extrema. O suicida não deseja a morte, quer cessar o sofrimento”, avaliou Jaber.

“Ele deve ter passado a vida se achando poderoso, e a vaidade, a prepotência e a mente doentia e frágil o fizeram agir como um ditador. É uma pessoa que acha que tem a verdade e a razão a seu lado, que escolhe pelos outros, presumindo que sabe o que é melhor para a família”, entendeu Py. /COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

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