Famílias ocupam antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo

Grupo retirado de um terreno da Cedae em 26 de março agora tenta se instalar em edifício que pertence ao grupo de Eike Batista

Danielle Villela, O Estado de S. Paulo

07 de abril de 2015 | 10h31

Atualizada às 19h14

RIO - Um grupo de 150 pessoas invadiu a antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo, na zona sul do Rio, na madrugada desta terça-feira, 7. Retiradas no último dia 26 de um terreno da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), na zona portuária, as famílias querem ficar no edifício Hilton Santos, do empresário Eike Batista, que o arrendou ao Flamengo. 
Em uma zona nobre da zona sul do Rio, com vista para o Pão de Açúcar, o prédio de 24 andares estava abandonado. “A gente quer uma resposta da prefeitura. Não vai mais fazer hotel aqui, então dá esse prédio pra nós (sic) morar", disse Alexandre Silva, de 37 anos.
Líder do grupo, Silva também estava, em abril de 2014, na ocupação do prédio da antiga Telerj no Engenho Novo, na zona norte, e do terreno da Cedae. 
“Não queremos ir para abrigo porque lá é horrível, tem barata, tem bicho, tem tudo. Se eu for alugar um lugar em uma favela não é menos de R$ 500. Com um salário mínimo não dá pra comprar comida pros meus filhos”, disse.
O Hilton Santos foi arrendado em 2012 pela REX, empresa imobiliária do grupo do empresário Eike Batista, para a construção de um hotel quatro estrelas que estaria funcionando nas Olimpíadas de 2016. 
Estratégia. Duas equipes do Batalhão da Polícia Militar (PM) de Botafogo permaneceram o dia todo no local. Um grupo menor, de cerca de 30 pessoas, tinha deixado o prédio no início da manhã e foi impedido de entrar novamente pelos policiais.
“Isso não é uma invasão. É um instrumento de pressão, um movimento ordeiro, para reivindicar que se dê moradia para aqueles que precisam”, disse José Mauro, ativista social que também tentava entrar no edifício no fim da tarde.
Os advogados de Eike Batista informaram ter pedido ajuda à Prefeitura e que entrarão com o pedido de reintegração de posse do imóvel. “É uma invasão sumamente ilegal e a lei da Legítima Defesa da Posse
permite que as providências sejam tomadas pelo proprietário com seus próprios meios. Mas o Eike acredita que esse é um problema municipal e que cabe ao município tomar as providências”, afirmou o advogado Sérgio Bermudes.
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