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Fat Family é morto pela polícia após três meses de buscas

Além do traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, de 28 anos, outros dois homens foram mortos em tiroteio em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio

Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2016 | 10h58

RIO - Um dos traficantes mais procurados do Rio, Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, de 28 anos, foi morto nesta segunda-feira, 26, durante operação da Polícia Civil em uma área de favelas em São Gonçalo, na região metropolitana. Fat Family estava sendo procurado havia três meses pela polícia, depois de ter sido resgatado por bandidos do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro da cidade. Parte do comércio do Catete e da Glória, na zona sul, reduto do criminoso, fechou as portas à tarde, após receber ordens de bandidos.

Com o apoio de um helicóptero, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil localizaram o traficante na localidade de Itaoca, no Complexo do Salgueiro, conjunto de favelas entre as pistas da BR-101 e a orla da Baía de Guanabara. Os policiais cercaram a área. Fat Family tentou se esconder em um matagal. Foi localizado e morto, assim como dois dos quatro homens que o acompanhavam.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos estavam armados com fuzis e enfrentaram os agentes da Core. Baleados, Fat Family e os comparsas morreram no local. A polícia informou que, na ação, foram apreendidos três fuzis e grande quantidade de drogas.

Coordenador da operação, o delegado Fabrício Oliveira, da Core, disse que informações recebidas pelo setor de inteligência da Polícia Civil, mais o apoio do helicóptero Esquilo com sensor infravermelho, contribuíram para o sucesso da ação. “Nós vínhamos recebendo informações de que Fat Family estaria neste local há um mês. No domingo, soubemos que ele estaria lá na manhã de segunda. Resolvemos manter esta informação só no nosso grupo para evitar vazamentos. O helicóptero, que permite a visualização de suspeitos pelo calor humano, confirmou a informação de que ele estava lá (dentro de uma casa) e foi a hora de agir”, afirmou o delegado.

Os policiais chegaram à favela Itaoca às 6h30 e só saíram por volta das 15 horas. Segundo o delegado, assim que souberam que os policiais estavam na região, os criminosos deixaram a casa onde estavam escondidos. Policiais no helicóptero conseguiram registrar a fuga de Fat Family e mais quatro bandidos em um Logan branco roubado e avisaram à equipe que percorria a região.

O delegado contou que Fat Family morreu com dois tiros no tórax. Ele parecia estar recuperado do tiro que o atingira na cabeça, em junho.

Toque de recolher. O Complexo do Salgueiro é região pobre controlada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), assim como o morro Santo Amaro, no Catete, na zona sul do Rio, reduto original de Fat Family e de seu irmão, o traficante Marco Antonio Pereira Firmino da Silva, o My Thor. Chefão do CV, My Thor está preso desde 2007. Mesmo assim, mantém o domínio sobre a favela. Seu irmão caçula era o líder do tráfico no Santo Amaro, mas respondia ao comando de My Thor.

Anunciada a morte de Fat Family, parte do comércio do Catete e da Glória, bairro vizinho, foi fechada. Criminosos armados abordaram comerciantes da Rua da Glória e da Rua Pedro Américo, obrigando-os a fechar as portas. Padarias e bares obedeceram à determinação. 

O serviço Disque-Denúncia chegou a receber 238 denúncias sobre Fat Family nos últimos três meses. O Portal dos Procurados oferecia recompensa de R$ 3 mil por informações que levassem à prisão.

Resgate. Fat Family foi resgatado por 25 bandidos armados de fuzis, pistolas e granadas que invadiram o Hospital Souza Aguiar na madrugada de 19 de junho. Na ação criminosa, um homem morreu e dois ficaram feridos.

A investida levou a uma crise na Secretaria de Segurança do Estado, que tinha informações sobre o plano dos bandidos, mas não reforçou o esquema de vigilância, de modo a impedir o resgate. Baleado no rosto, Fat Family estava sob custódia havia seis dias. O hospital fica a 500 metros da sede da Secretaria de Segurança, no centro. A prisão de Fat Family era considerada prioritária desde então.

Operações contra bandido em favelas deixaram 11 mortos

A captura de Fat Family, foragido havia 99 dias, era considerada uma “questão de honra” pela polícia do Rio. Foram montadas megaoperações em pelo menos 50 favelas da capital, da Baixada Fluminense e de São Gonçalo, que resultaram na morte de 11 pessoas. A informação de que o criminoso estava no Complexo do Salgueiro já era de conhecimento dos investigadores desde o fim de agosto. Policiais passaram a circular nas favelas da área em busca de seu paradeiro, mas ele sempre escapava.

O fato de Fat Family ser de fácil identificação não facilitou sua localização - tinha 140 kg e estava com uma bala alojada no rosto. No início deste mês, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) chegou a ocupar o Salgueiro. Diante da informação de que ele fugira para o Complexo do Anaia, também em São Gonçalo, foi montada uma operação no último dia 14. Houve tiroteio com traficantes e apreensão de uma espingarda, cocaína e maconha, mas nada de Fat Family.

Duas semanas antes, a polícia chegara à mulher do traficante. Equipes da PM e da Polícia Civil, com 190 agentes, quatro veículos blindados e seis aeronaves agiram em conjunto e a detiveram no imóvel onde casal estava, no Salgueiro. Os policiais encontraram maconha e cocaína, mas não conseguiram prendê-lo. Como não havia provas contra a mulher, ela foi liberada. /COLABORARAM ROBERTA PENNAFORT E SERGIO TORRES

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