Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Fernandinho Beira-Mar é julgado por mortes de 4 integrantes de facção

Segundo MP, traficante teria mandado matar líder da Amigos dos Amigos e outros três presos durante rebelião em Bangu, em 2002

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 11h28

Atualizado às 7h45 do dia 14/5

RIO - Começou a ser julgado por volta de 15h20 desta quarta-feira, 13, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, líder da facção Comando Vermelho. Acusado de ter liderado uma guerra de facções dentro do Presídio de Segurança Máxima Bangu I em 11 de setembro de 2002, desta vez, Beira-Mar responderá pelas mortes de Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, líder da facção rival Amigos dos Amigos (ADA), e outros três presos da facção.

Previsto para 13h, o julgamento, presidido pelo juiz Fábio Uchôa, iniciou com duas horas e meia de atraso porque uma das testemunhas de defesa não foi localizada e foi dispensada pelo advogado do réu, Maurício Neville.

Segundo denúncia do Ministério Público, as vítimas, além de Uê, Carlos Alberto da Costa (Robertinho do Adeus), Wanderlei Soares (Orelha) e Elpídio Rodrigues Sabino (Pidi) foram assassinadas a mando do traficante.

Ainda não há informações sobre os custos da viagem de Beira-Mar ao Rio de Janeiro. Ele atualmente cumpre pena em presídio federal de Porto Velho.

O criminoso chegou por volta de 10h15 ao Tribunal de Justiça do Rio, na região central, escoltado por agentes da Marinha do Brasil, em um helicóptero blindado da Polícia Civil. Pouco antes, ele havia aterrissado no Aeroporto Santos Dumont, também no centro do Rio.

Com a dispensa, o número de testemunhas ouvidas no julgamento chegou a nove, entre elas o traficante Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, preso há doze anos.

Nos corredores do fórum, o assunto é Beira-Mar. Advogados se queixam de que o local está "uma loucura". "É o traficante-celebridade", resumiu um ascensorista.

No 1º Tribunal do Júri, no 9º andar do prédio, imprensa e curiosos disputam espaço. Pelo menos 100 estagiários de direito fizeram fila para acompanhar o julgamento. Houve tumulto e empurra-empurra quando seguranças particulares do tribunal liberavam a entrada de pessoas para acompanhar o julgamento. Muitos familiares do traficante, incluindo filhos, também estão no tribunal.

Na época, a rebelião levou pânico a diversos bairros da cidade, obrigando parte do comércio a fechar as portas. Beira-Mar agiu em conjunto com outros 22 presos e um agente penitenciário, mas o processo foi desmembrado.

As mortes ocorreram dentro da Galeria D do presídio, considerado de segurança máxima, onde estavam 10 detentos. Preso na Galeria A do mesmo presídio, Beira-Mar, segundo a promotoria, usou as chaves para atravessar seis portões com grades até chegar ao local onde estavam os rivais. 

Detido em 2002, Fernandinho Beira-Mar está preso em penitenciária federal de segurança máxima de Porto Velho, em Rondônia, desde fevereiro de 2012, depois de passar por seis outras unidades.

Em 2013, enfrentou julgamento pela última vez, também no Rio, quando foi condenado a 80 anos de reclusão pelas mortes de outros dois traficantes e pela tentativa de homicídio de um terceiro durante a mesma rebelião. Suas penas, acumuladas, somam 200 anos de prisão.  

Além de Beira-Mar, irão a júri popular pelo mesmo caso, em outra ocasião, os traficantes Cláudio José de Souza Fontarigo, o Claudinho da Mineira, Carlos Braz Victor da Silva, o Fiote, Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, Marcos Antonio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, e Márcio Silva de Macedo, o Gigante.

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