Filho assume império de Fernandinho Beira-Mar

Aos 21 anos, Felipe Alexandre da Costa virou chefe da quadrilha após prisão da mulher do traficante

Marcelo Auler, de O Estado de S. Paulo,

05 de janeiro de 2008 | 18h59

Um dos dez filhos do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, é apontado pela delegada federal Luciana de Castro Ribeiro como sucessor dele no comando da quadrilha de tráfico internacional de drogas. Felipe Alexandre da Costa, de 21 anos, assumiu o posto após a prisão de Jaqueline Alcântara de Moraes, mulher do traficante, presa desde 22 de novembro na Operação Fênix. Ele estaria dividindo a chefia do bando com o traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói - foragido da Justiça, que estaria escondido no Morro da Mangueira, no Rio. A delegada passa o fim de semana concluindo o relatório da Operação Fênix, que deverá encaminhar nesta segunda-feira, 7, à 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Até sexta-feira, estavam indiciadas 34 pessoas, entre elas seis parentes de Beira-Mar: a mulher, Jaqueline, o filho Felipe Alexandre, o cunhado Ronaldo Alcântara de Moraes, a mulher deste, Marcela Barradas, e as irmãs do traficante, Alessandra e Débora da Costa. Jaqueline, Ronaldo e Marcela foram presos no dia 22. Felipe é foragido da Justiça do Rio e terá novo mandado de prisão pedido ao juiz Sergio Fernando Moro, da 2.ª Vara Federal de Curitiba. Resultado de um ano e meio de investigação, a Operação Fênix desarticulou a quadrilha do traficante, preso em abril de 2001 e transferido para uma cadeia federal de segurança máxima em julho de 2006. Liberado O filho do traficante não teve a prisão pedida na primeira fase da operação. Ele chegou a ser levado à delegacia da Polícia Federal em Campo Grande (MS), onde estava com Ronaldo, foi ouvido e liberado. Depois, segundo a investigação, ficou evidente sua participação no tráfico. O monitoramento telefônico mostrou Felipe Alexandre negociando a compra, determinando os locais de entrega e formas de pagamento da cocaína vinda do exterior. Ele também é acusado de lavar o dinheiro do tráfico por meio da empresa Gás Aceso - com nome fantasia Chama Gás, na Favela de Duque de Caxias -, da qual é sócio ao lado de um cunhado de Beira-Mar, Carlos Wilson Portela Wanderley, e de Wilson Messias do Nascimento. Na contabilidade da empresa não apareciam as despesas reais, criando lucro fictício a ser distribuído entre os sócios. Assim, segundo peritos federais, o dinheiro do tráfico ganhava aparência legal. O mesmo acontecia na JJ Lava a Jato, também na favela, que pertence a Jaqueline e a Jorge Ribeiro Júnior, preso na Operação Fênix. O responsável pelas contas das empresas e de seus sócios, o contador Humberto Marcelino Ferreira, foi indiciado por lavagem de dinheiro. As investigações, segundo a delegada Luciana, não mostraram nenhuma grande movimentação financeira em bancos. Mas, na operação, foram apreendidos US$ 130 mil e R$ 26 mil na casa de Marcela Barradas, que oficialmente ganha salário de R$ 700. Mas a polícia descobriu dinheiro da quadrilha em contas de outras pessoas. Uma delas foi o ex-vereador de Duque de Caxias Reginaldo Figueiredo da Cruz. Segundo a delegada Luciana, ele apareceu com movimentações financeiras muito altas. Ainda não se sabe se todo o dinheiro que circulou por sua conta é do tráfico. Mas há a certeza de que teve depósitos provenientes da quadrilha.

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